Presidente interina da Venezuela rejeita ordens de Washington
Presidente interina da Venezuela Delcy Rodriguez afirmou, em 25 de janeiro, que o país não aceitará mais determinações dos Estados Unidos e que os venezuelanos devem resolver “nossas divergências e nossos conflitos internos” sem ingerência estrangeira.
Declaração feita a trabalhadores do setor de petróleo
A manifestação ocorreu durante um encontro com petroleiros no estado de Anzoátegui. A declaração foi transmitida pela emissora estatal Telesur. “Já basta de ordens de Washington sobre políticos na Venezuela”, enfatizou Rodriguez, acrescentando que as potências externas “custaram caro à República” ao impulsionar, segundo ela, “o fascismo e o extremismo” no país.
Contexto: crise política e controle do petróleo
Desde 3 de janeiro, quando Nicolás Maduro foi sequestrado, o governo norte-americano passou a anunciar publicamente que “está no controle da Venezuela”. O então presidente dos EUA, Donald Trump, divulgou que sua administração gerencia o petróleo venezuelano. Embora a Casa Branca tenha mantido Rodriguez à frente do Executivo, Trump advertiu que a dirigente “pagaria um preço muito alto” caso descumprisse determinações de Washington, mesmo depois de ter elogiado a líder e convidado-a para visitar a residência oficial em Washington.
Analistas ouvidos pela agência Reuters avaliam que o controle sobre a estatal Petróleos de Venezuela (SPDV) é central para a disputa de poder, já que o país detém uma das maiores reservas de petróleo do mundo.
Reações internas e próximos passos
A fala de Rodriguez ecoou entre apoiadores do governo, que defendem maior autonomia nas decisões sobre exploração de recursos naturais e políticas econômicas. A oposição, por sua vez, critica a concentração de poder no Executivo e questiona a legitimidade das operações conduzidas sem supervisão do Parlamento.
Não houve resposta imediata do Departamento de Estado dos EUA às declarações da presidente interina. Observadores internacionais apontam que eventuais novas sanções ou acordos bilaterais podem ser definidos nos próximos meses, enquanto Rodriguez tenta consolidar apoio interno para um calendário eleitoral ainda indefinido.
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Crédito da imagem: REUTERS
Fonte: REUTERS
