Dívida pública: Haddad aponta juros altos como principal vilão
Dívida pública: Haddad aponta juros altos como principal vilão O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista concedida em 19 de janeiro de 2026 que o crescimento do endividamento federal decorre, sobretudo, do patamar elevado dos juros reais, e não do excesso de gastos públicos.
Dívida pública: Haddad aponta juros altos como principal vilão
Déficit primário em trajetória de queda
Haddad destacou que, nos últimos dois anos, o déficit primário foi reduzido em aproximadamente 70 %. Segundo ele, mesmo considerando exceções fiscais como o ressarcimento a segurados do INSS, o resultado de 2025 encerrou em 0,48 % do Produto Interno Bruto (PIB). O ministro comparou o dado com a projeção de 1,6 % do PIB feita pelo governo anterior para 2023 e afirmou que “o problema não é o déficit, que está caindo”.
Meta fiscal mais rígida
O chefe da Fazenda observou que a meta de resultado primário definida para o exercício corrente é “mais exigente” do que as fixadas nos três anos anteriores, elevando o “sarrafo” de compromisso com o equilíbrio fiscal.
Espaço para corte na Selic
Ao comentar a taxa básica de juros, fixada em 15 % ao ano, Haddad avaliou que há margem para reduções adicionais. Na visão do ministro, a queda da Selic contribuiria para aliviar o custo da dívida pública, cuja dinâmica, segundo ele, está diretamente relacionada aos juros reais.
Haddad elogiou a condução do Banco Central pelo presidente Gabriel Galípolo, citando a postura adotada diante do caso Banco Master. O ministro defendeu ampliar o perímetro regulatório da autoridade monetária, permitindo que a autarquia assuma a fiscalização de fundos de investimento, hoje a cargo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
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Tributação dos mais ricos
Questionado sobre o apelido “Taxad” nas redes sociais, o ministro respondeu que se orgulha de ter implantado a “taxação BBB” — banco, bet e bilionário — além de tributar offshores, fundos exclusivos e dividendos. “Essa turma que não pagava imposto voltou a pagar”, afirmou.
Economia e cenário eleitoral
Para Haddad, a situação econômica tende a ser relevante, mas não decisiva, nas próximas eleições presidenciais no Brasil ou no exterior. Pesquisas citadas pelo ministro indicariam maior preocupação da população com segurança pública e combate à corrupção. Ele também reiterou que não pretende disputar cargos eletivos em 2026, tema que, segundo disse, está em debate com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em síntese, o ministro sustenta que a elevação dos juros reais responde pela pressão sobre a dívida pública, enquanto o déficit fiscal mostra trajetória de queda. Afirmando existir espaço para cortes na Selic e defendendo maior poder de fiscalização ao Banco Central, Haddad reiterou o compromisso com metas fiscais mais rigorosas e com a tributação de altas rendas.
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Crédito da imagem: Valter Campanato/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
