Raul Jungmann recebe homenagens de líderes políticos de vários partidos em razão de sua morte, no último domingo (18 de janeiro), aos 73 anos, vítima de câncer no pâncreas. A extensa carreira, que incluiu mandatos de vereador, deputado federal e passagens pelos ministérios da Reforma Agrária, Defesa e Segurança Pública, motivou manifestações de pesar e reconhecimento vindas de ex-presidentes, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e dirigentes partidários.
Reconhecimento de antigos chefes de governo
O ex-presidente Michel Temer, que o nomeou para a Defesa e, posteriormente, para a recém-criada pasta da Segurança Pública, afirmou em nota que Jungmann “soube servir ao país” e “deixou marca em todos os cargos que ocupou”. Temer destacou a convivência pessoal e classificou a perda como “tristeza no plano cívico”.
Em outra frente ideológica, Paulo Teixeira, atual ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, lembrou a participação de Jungmann no movimento Diretas Já e no então PCB, além de ter sido fundador do PPS. Segundo Teixeira, o ex-ministro continuou contribuindo, “com generosidade e espírito democrático”, para um conselho de ex-titulares da pasta voltado ao debate de políticas agrárias.
Homenagens no Supremo Tribunal Federal
Duas vozes do STF destacaram o papel republicano do ex-parlamentar. Gilmar Mendes descreveu Jungmann como homem de “rara integridade” que integrou um “dream team” responsável por reformas estruturais nos anos 1990. Já Alexandre de Moraes recordou a parceria durante a coordenação de inteligência das Olimpíadas Rio 2016, qualificando o pernambucano como “exemplo de competência, lealdade e eficiência”.
Parlamentares e governadores repercutem morte
Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso, ressaltou o “profundo compromisso com o interesse público” do ex-deputado. O governador do Rio Grande do Sul, Marcelo Leite, enfatizou a “trajetória marcante” e o espírito republicano demonstrado em diferentes momentos da vida nacional.
Nota oficial do Cidadania
Última legenda a que Jungmann foi filiado, o Cidadania divulgou comunicado assinado por Roberto Freire. O texto lembra a militância do político desde a juventude, ainda no PCB, e sua contribuição à fundação do PPS, que depois se tornou Cidadania. Freire frisou que, mesmo afastado formalmente do partido, Jungmann seguia presente em encontros sobre segurança pública, área onde era referência.
Trajetória de meio século
Natural de Recife, Jungmann iniciou a vida pública como vereador em 1975. Nos anos seguintes, passou pela Câmara Federal em três legislaturas e chefiou ministérios em governos de diferentes matizes ideológicas. Entre 2017 e 2019, assumiu também a presidência da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), consolidando a imagem de gestor técnico e articulador político. A biografia oficial lista ainda participação em organismos multilaterais voltados ao meio ambiente e à segurança.
O velório foi restrito à família, porém parlamentares de várias siglas estiveram presentes para prestar solidariedade. Representantes da sociedade civil e de organizações não governamentais enviaram coroas de flores e mensagens de condolências.
Raul Jungmann deixa esposa, dois filhos e o legado de mais de cinco décadas dedicadas a causas democráticas. As homenagens destacam a capacidade de diálogo com diferentes correntes, considerada marca de sua atuação no Legislativo e no Executivo.
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Crédito da imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil
Fonte: Rovena Rosa/Agência Brasil
