China condena apreensão de petroleiros pelos EUA em alto-mar
China condena apreensão de petroleiros pelos Estados Unidos e sustenta que a interceptação das embarcações em águas internacionais viola o direito marítimo, além de representar sanções unilaterais sem respaldo da ONU.
Reação de Pequim
Em entrevista coletiva em Pequim, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, classificou, na quinta-feira (8 de janeiro), a apreensão dos petroleiros Marinera e M/T Sophia como “grave violação” do direito internacional. Ela reiterou que a China “se opõe firmemente a qualquer medida que contrarie os propósitos da Carta da ONU e afete a soberania de outros Estados”.
Segundo Mao, o governo chinês rejeita sanções unilaterais “sem base legal” e promete trabalhar com a comunidade internacional para “defender o multilateralismo, a paz e a estabilidade globais”.
Operação norte-americana
De acordo com o Departamento de Segurança Interna dos EUA, o Marinera (anteriormente Bella I) e o M/T Sophia foram capturados em cumprimento a um mandado de um tribunal federal. As autoridades alegam que as embarcações transportavam petróleo venezuelano, violando sanções impostas por Washington.
A secretária nacional de Segurança Interna, Kristi Noem, relatou que a Guarda Costeira perseguiu o Marinera por semanas, alcançando-o em ponto localizado na zona econômica exclusiva da Islândia. Ela afirmou que a tripulação trocou o nome e pintou nova bandeira para tentar escapar. O segundo navio, M/T Sophia, foi detido no Mar do Caribe e será escoltado até território norte-americano.
Protesto russo
Em nota reproduzida pela agência estatal TASS, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia exigiu que Washington “cesse imediatamente” a ação contra o Marinera, que recebeu autorização temporária para navegar sob bandeira russa em 24 de dezembro. Moscou afirma ter informado repetidamente aos EUA sobre a origem do navio e pediu tratamento digno aos tripulantes.
Apoio venezuelano e críticas a sanções
Mao Ning também reafirmou apoio à Venezuela, lembrando que o alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, alertou para o risco de justificar intervenções militares com base em supostas violações de direitos humanos. A porta-voz chinesa condenou o uso político do tema: “A China se opõe a transformar direitos humanos em ferramenta de pressão”.
Contexto internacional
O episódio reacende o debate sobre a legalidade de ações extraterritoriais norte-americanas. Especialistas ouvidos pela agência Reuters lembram que, embora os EUA aleguem cumprir decisões judiciais internas, a interceptação em alto-mar esbarra nos princípios da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
Para acompanhar mais notícias sobre geopolítica e impactos na economia global, visite a editoria Internacional do Giro pela Bahia e continue informado.
Crédito da imagem: Hakon Rimmereid/via REUTERS
Fonte: Hakon Rimmereid/via REUTERS
