Rastreamento do câncer de colo do útero muda com teste DNA HPV — A Fundação do Câncer lançou, em 8 de janeiro, a versão atualizada do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, documento que instrui profissionais de saúde sobre a substituição gradual do exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV na rede pública.
Nova diretriz reforça prevenção mais sensível e espaçada
O guia incorpora as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, aprovadas pela Conitec, que oficializam a transição para o DNA-HPV no Sistema Único de Saúde (SUS). Diferentemente do Papanicolau, que detecta alterações celulares já instaladas, o novo método identifica a presença do vírus oncogênico, permitindo diagnóstico mais precoce.
Público-alvo e periodicidade
O público testado permanece o mesmo: mulheres entre 25 e 64 anos. Com a maior sensibilidade do DNA-HPV, o intervalo de rastreamento passa a ser de cinco anos após resultado negativo, ante três anos do modelo citológico. Resultados positivos para HPV 16 ou 18 levam à colposcopia imediata; outros genótipos oncogênicos recebem citologia reflexa e reteste anual, caso não haja alteração.
Implementação gradual no SUS
Desde setembro passado, municípios de 12 estados iniciaram a oferta do teste molecular. Segundo a consultora médica Flávia Miranda Corrêa, novas localidades já negociam adesão com o Ministério da Saúde. Enquanto isso, unidades que ainda não contam com a tecnologia mantêm o Papanicolau para evitar sobreposição de métodos.
Três pilares para eliminar a doença até 2030
O Brasil segue a Estratégia Global da Organização Mundial da Saúde, que prevê até o final da década: vacinar 90% das meninas até 15 anos, rastrear 70% das mulheres com teste molecular e tratar 90% das pacientes com lesões ou câncer. A vacina quadrivalente contra HPV, ofertada no SUS desde 2014, é aplicada em dose única a meninas e meninos de 9 a 14 anos; grupos especiais também têm direito à imunização gratuita.
Vantagens do exame molecular
Automatizado, o teste de DNA-HPV reduz a subjetividade observada no Papanicolau e apresenta 99% de segurança quando negativo. Países como a Austrália, pioneiros na adoção do método, já registram queda expressiva na incidência da doença, cenário que a Fundação do Câncer espera reproduzir no Brasil.
Com a atualização do guia, profissionais de saúde contam agora com orientações detalhadas para coleta, interpretação de resultados e encaminhamento das pacientes, fortalecendo toda a rede de cuidado — do rastreamento ao tratamento oportuno.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
