EUA apreendem navios que transportavam petróleo da Venezuela em operação conduzida pela Guarda-Costeira norte-americana, que interceptou duas embarcações em águas internacionais por suspeita de violação de sanções comerciais impostas a Caracas.
EUA apreendem navios que transportavam petróleo da Venezuela
Na manhã de 7 de janeiro, a Guarda-Costeira dos Estados Unidos deteve os petroleiros Marinera e M/T Sophia durante patrulha em alto-mar, atendendo a mandado emitido por um tribunal federal do país. As autoridades alegam que ambas as embarcações atuavam em rota ligada ao comércio de petróleo venezuelano sob restrições econômicas impostas por Washington.
De acordo com a secretária nacional de Segurança Interna, Kristi Noem, o Marinera – navio de bandeira russa, anteriormente registrado como Bella I – foi alcançado na zona econômica exclusiva da Islândia, após semanas de perseguição. A embarcação teria alterado a pintura do casco e trocado de bandeira para tentar escapar dos radares norte-americanos. Já o M/T Sophia foi abordado próximo ao Caribe e, segundo o Comando Sul dos EUA, realizava “atividades ilícitas” relacionadas ao transporte de petróleo sancionado.
Em comunicado nas redes sociais, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, reforçou que “o bloqueio contra qualquer navio fantasma que carregue petróleo venezuelano irregular continua em vigor, em qualquer ponto do mundo”. Ele acrescentou que apenas o “comércio de energia legítimo e autorizado” será permitido.
Moscou reagiu. O Ministério dos Transportes da Rússia classificou a apreensão do Marinera como “violação do direito marítimo internacional”, citando a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (1982), que garante liberdade de navegação em alto-mar. Autoridades russas informaram ter perdido contato com a tripulação logo após a abordagem norte-americana. A contestação russa foi repercutida pela agência Reuters, que destacou a tensão diplomática gerada pelo caso.
O Departamento de Justiça dos EUA não detalhou o destino da carga nem revelou o volume de petróleo apreendido, mas indicou que os navios serão escoltados até porto norte-americano para inspeção. As tripulações permanecem sob custódia enquanto prosseguem as investigações sobre possíveis infrações financeiras e lavagem de dinheiro.
Os Estados Unidos reimpuseram sanções ao setor petrolífero venezuelano em 2019, alegando que a receita obtida com as exportações financia o governo de Nicolás Maduro e atividades consideradas ilícitas por Washington. Desde então, diversas embarcações foram multadas, retidas ou proibidas de atracar em portos norte-americanos.
Apesar da pressão internacional, Caracas mantém alianças com parceiros como Rússia e Irã para escoar parte de sua produção, geralmente por meio de trocas de bandeiras, roteiros indiretos e documentos forjados. A interceptação mais recente sinaliza que os EUA pretendem intensificar a fiscalização marítima, ampliando a disputa geopolítica em torno do petróleo sul-americano.
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Crédito da imagem: Hakon Rimmereid/REUTERS
Fonte: Hakon Rimmereid/REUTERS
