A vitória do presidente no domingo reaproximou Executivo e Legislativo, fortalecendo as articulações pela recondução dos presidentes das duas Casas. Aliados dizem que o aval do Planalto será decisivo.
A reeleição de Lula neste domingo (25) deu novo fôlego aos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. Parlamentares ouvidos avaliam que os dois também saíram vencedores das urnas e passaram a contar com um patrocinador de peso para tentar a recondução ao comando das duas Casas.
Antes mesmo de Flávio Bolsonaro anunciar que não reconheceria o resultado da eleição, Motta e Alcolumbre já haviam telefonado a Lula para parabenizá-lo, em gestos que agora ganham releitura diante da confirmação do resultado. A proximidade com o Palácio do Planalto é vista por aliados como elemento que pode alterar o equilíbrio político em Brasília.
Motta apostou no petista antes do primeiro turno, segundo o relato original, de olho na eleição do pai, na própria reeleição como deputado e na manutenção do posto de presidente da Câmara. A postura do presidente da Casa Legislativa, conforme consta, foi interpretada por interlocutores como uma estratégia para consolidar bases eleitorais e garantir apoio para a sequência do mandato.
Alcolumbre, que foi derrotado no Amapá ao não conseguir eleger correligionários, voltou a Brasília enfraquecido e sob a sombra da possibilidade de um resultado diferente no Planalto caso o quadro nacional tomasse outro rumo. A derrota de Flávio Bolsonaro, contudo, mudou o jogo: com Lula reeleito, Motta e Alcolumbre ganharam um aliado que pode pesar nas negociações em torno das mesas do Congresso.
Parlamentares ouvidos observam que a recomposição do cenário nacional tende a influenciar articulações internas nas duas Casas. A presença de um presidente da República disposto a manter diálogo com os chefes do Legislativo costuma ser tratada como fator que facilita acordos e encaminhamentos, em especial em votações que demandem larga maioria ou arranjos interpartidários.
Mesmo assim, a leitura sobre a capacidade real de Motta e Alcolumbre de se manterem nos postos dependerá das negociações nas bancadas, do interesse das lideranças locais e do andamento das costuras políticas nas próximas semanas. A reeleição presidencial, conforme a avaliação de alguns parlamentares, cria condições mais favoráveis, mas não elimina a competição interna por posições de comando no Congresso.
