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Saúde

Vírus sincicial respiratório eleva risco em idosos, alertam médicos

Rita Moraes
De Rita Moraes
Publicado: 11/04/2026
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Vírus sincicial respiratório eleva risco em idosos, alertam médicos. Vírus sincicial respiratório (VSR) responde por parcela crescente dos casos de síndrome respiratória aguda grave no Brasil e representa ameaça relevante para pessoas acima de 50 anos, segundo dados oficiais e especialistas.

Vírus sincicial respiratório eleva risco em idosos, alertam médicos

Informações do Ministério da Saúde indicam que, no primeiro trimestre de 2026, o VSR esteve presente em 18% dos episódios de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com confirmação viral. O Boletim Infogripe, da Fiocruz, mostra tendência de alta: de fevereiro a março, o vírus foi responsável por 14% dos casos; de março a abril, alcançou 19,9%. Em 2025, o patógeno liderou a prevalência durante 23 semanas consecutivas, entre março e agosto.

Em laboratórios privados, a participação do VSR em testes positivos saltou de 26% na primeira semana de março para 38% na semana encerrada em 4 de abril de 2026, segundo levantamento do Instituto Todos pela Saúde. A pneumologista Rosemeri Maurici, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), avalia que esses números representam “apenas a ponta do iceberg”, porque grande parte dos pacientes internados não é testada ou faz o exame fora da janela de detecção.

Dos 27,6 mil registros de SRAG nos três primeiros meses de 2026, apenas um terço teve o agente viral identificado, e 17% dos pacientes não passaram por nenhum teste. A limitação afeta principalmente adultos: a carga viral do VSR costuma cair após 72 horas nos organismos maduros, reduzindo a chance de diagnóstico preciso.

Ainda assim, o impacto em idosos é evidente. Dados compilados pela geriatra Maísa Kairalla revelam que, comparado à influenza, o VSR aumenta em 2,7 vezes o risco de pneumonia em pacientes acima de 60 anos, duplica a necessidade de internação em UTI e eleva pela metade a probabilidade de óbito. Fatores como imunossenescência, doenças crônicas, histórico de tabagismo e consumo de álcool agravam o quadro.

Comorbidades pesam na evolução da doença. O cardiologista Múcio Tavares, da Faculdade de Medicina da USP, destaca que mais de 60% dos casos graves ocorrem em pessoas com enfermidades cardiovasculares, já que a infecção desencadeia inflamação sistêmica e pode precipitar infarto ou acidente vascular cerebral. O endocrinologista Rodrigo Mendes acrescenta que a hiperglicemia torna diabéticos mais suscetíveis a complicações, enquanto portadores de asma grave ou DPOC apresentam 70% mais chance de mortalidade em até três anos após internação em UTI, conforme a UFSC.

Atualmente, a prevenção disponível na rede pública restringe-se à imunização de gestantes, medida que protege recém-nascidos nos primeiros meses de vida. Na rede privada, há vacinas indicadas pela Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) para pessoas de 50 a 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir de 70 anos. Rosemeri Maurici defende que sociedades médicas encaminhem proposta à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) para incluir o imunizante no Programa Nacional de Imunizações.

Especialistas reiteram a importância de diagnóstico precoce, vacinação e controle rigoroso de doenças pré-existentes para reduzir hospitalizações e mortes associadas ao VSR. A orientação é procurar assistência médica ao primeiro sinal de febre, tosse ou dificuldade respiratória, sobretudo em grupos vulneráveis.

Saiba mais sobre cuidados respiratórios e confira outras reportagens na editoria de Saúde do Giro pela Bahia.

Crédito da imagem: Prefeitura de São Paulo
Fonte: Agência Brasil

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