Vírus Nipah: OMS detalha sintomas, transmissão e letalidade
Vírus Nipah, responsável por surtos recorrentes na Ásia, voltou a causar alerta após a confirmação de cinco casos entre profissionais de saúde na província indiana de Bengala Ocidental e o isolamento de cerca de 100 pessoas.
Origem e hospedeiros naturais
Identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto em criadores de suínos na Malásia, o Nipah tem como reservatório principal morcegos frugívoros do gênero Pteropus. Evidências do patógeno já foram detectadas nessas espécies em países como Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas e Tailândia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) ressalta que a ampla distribuição desses morcegos eleva o risco de eventos esporádicos em novas regiões.
Como ocorre a transmissão
No surto inicial, o contato desprotegido com porcos infectados foi a principal via de contágio. Em episódios mais recentes em Bangladesh e na Índia, o consumo de frutas ou seiva contaminadas com urina ou saliva de morcegos foi apontado como causa provável. A transmissão direta entre pessoas, especialmente em ambientes hospitalares, também é registrada: em Siliguri (Índia), 75% dos casos de 2001 envolveram funcionários ou visitantes de um centro de saúde.
Sintomas e taxa de letalidade
O período de incubação varia de quatro a 14 dias, mas pode chegar a 45 dias. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, mialgia, vômito e dor de garganta. Em estágios avançados surgem tontura, sonolência e sinais neurológicos que indicam encefalite aguda. Casos graves podem evoluir para convulsões e coma em até 48 horas. A taxa de letalidade estimada oscila entre 40% e 75%, dependendo da capacidade local de vigilância e manejo clínico.
Diagnóstico e tratamento
Como as manifestações iniciais são inespecíficas, o diagnóstico costuma atrasar. Os testes mais usados são RT-PCR em fluidos corporais e detecção de anticorpos por ensaio imunoenzimático. Ainda não existem antivirais ou vacinas aprovadas; o tratamento é de suporte intensivo para complicações respiratórias e neurológicas. A OMS mantém o Nipah em sua lista de patógenos prioritários para pesquisa de contramedidas médicas (confira detalhes no site da Organização).
Medidas de prevenção recomendadas
Sem imunizante disponível, a prevenção depende da redução da exposição:
- Proteger locais de coleta de seiva e ferver a bebida antes do consumo.
- Lavar e descascar frutas; descartar aquelas com marcas de mordida de morcego.
- Utilizar equipamentos de proteção ao manusear suínos doentes ou carcaças.
- Evitar contato físico próximo e desprotegido com pacientes infectados.
- Realizar higiene frequente das mãos após cuidar de doentes.
Risco global e avaliação de especialistas
Apesar da gravidade dos quadros, especialistas como Benedito Fonseca, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, avaliam que o potencial de o Nipah gerar uma pandemia é limitado em comparação a patógenos de alta transmissão respiratória, como o SARS-CoV-2. Fatores culturais, ambientais e a forma de contágio — muitas vezes vinculada a práticas regionais — reduzem a probabilidade de disseminação global.
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Crédito da imagem: Ruslanas Baranauskas/Divulgação
Fonte: Agência Brasil
