O jornal britânico Financial Times classificou a publicação dos vídeos de Michelle Bolsonaro sobre o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como “mais um revés” em uma “campanha fragilizada”, na última quinta-feira (25). A ex-primeira-dama divulgou uma série de vídeos onde expõe publicamente seu enteado, afirmando que ele a tinha “apunhalado”.
A publicação descreveu o clã Bolsonaro como “realeza política de direita do Brasil”, ao analisar a disputa pública entre Michelle e os filhos do ex-presidente. A reportagem destacou que a troca de farpas reflete uma antiga desarmonia entre Michelle, que se tornou uma figura popular entre os conservadores brasileiros, e os quatro filhos políticos de Jair Bolsonaro, que tem 71 anos.
O texto também mencionou que Flávio aparecia matematicamente empatado com o presidente Lula (PT) nas pesquisas, mas viu seu desempenho cair após a divulgação de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro. Além disso, o jornal observou o impacto negativo dos vídeos em relação ao público feminino, que apresenta grande rejeição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e que o senador busca conquistar. Michelle, por outro lado, é vista como uma figura forte entre o público evangélico.
“Embora Jair Bolsonaro continue sendo o líder supremo dos conservadores brasileiros, sua esposa emergiu como uma importante figura política. Michelle lidera a ala feminina do Partido Liberal e é cotada como possível candidata ao Senado. Cristã devota e fluente em Libras, ela conta com forte apoio entre o crescente número de mulheres evangélicas no Brasil”, afirmou o texto.
A disputa entre Michelle e os filhos de Jair Bolsonaro tem se intensificado com o tempo. Os comentários aumentaram significativamente após a prisão do capitão da reserva e o anúncio de pré-candidatura do filho mais velho, o senador Flávio, à Presidência da República.
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A briga de narrativas culminou em um vídeo publicado por Michelle na quarta-feira (24), onde criticou publicamente Flávio e seus irmãos. Michelle afirmou que Flávio a humilhou em um telefonema, dizendo: “Ele me maltratou e disse que eu deveria ficar de fora das decisões do partido”. O senador, por sua vez, descartou repetidamente uma possível candidatura de Michelle à Presidência.
No vídeo mais recente, dividido em duas partes e publicado no Instagram de Michelle, ela afirmou que Flávio a “apunhalou” ao apoiar o deputado André Fernandes, que declarou apoio ao pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB). Michelle destacou que Fernandes chamou Flávio e seus irmãos de corruptos e “ovos de serpentes nazistóides”.
Michelle também comentou que Flávio visita sua casa toda semana e que, se ele realmente quisesse o seu apoio, já teria conversado com ela. “O Flávio vai para a minha casa toda semana, mais de uma vez. Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado. Se considerasse necessário o meu apoio, já teria conversado. Estou na minha, continuarei recolhida. Não o procurei mais também”, afirmou.
O senador se manifestou na noite de quarta-feira (25), afirmando que “nunca maltratou ou humilhou uma mulher” e, caso tenha feito, “pede desculpas”.
Por fim, Michelle declarou que “não tenho raiva de ninguém” e que “apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada” em seu Instagram. Ela também enfatizou que não há competição entre ela e os filhos de Jair Bolsonaro. “Vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno. Não há briga, nem competição. Peço apenas que não retirem trechos da minha fala de contexto para gerar confusão. Uma nova história será escrita com verdade, clareza e respeito. Fiquem em paz”, concluiu.
