Vacinação contra HPV: Acre busca recuperar confiança após boatos A vacinação contra o HPV no Acre enfrenta o maior desafio do Brasil: depois de um episódio de 2017, quando 74 adolescentes relataram reações que depois se provaram sem ligação com o imunizante, a cobertura caiu a índices alarmantes e ainda não voltou ao patamar nacional.
Queda inédita na cobertura
Em 2025, a média brasileira alcançou 86% das meninas e 74,5% dos meninos vacinados. No Acre, porém, os números ficaram em 59% e 50%, respectivamente — os menores entre as 27 unidades da federação. A coordenadora estadual do Programa Nacional de Imunizações, Renata Quiles, lembra que o caso de 2017 provocou um salto de 14 para 127 notificações de eventos adversos em apenas seis meses, fruto de “comportamento de massa estimulado pelo medo”.
Investigação comprovou segurança
Uma força-tarefa analisou os lotes aplicados e submeteu 12 jovens a exames avançados na Faculdade de Medicina da USP. O laudo confirmou crises psicogênicas não epilépticas, resultado do estresse vacinal, e identificou apenas dois casos de epilepsia genética. Nenhum componente da vacina foi associado aos sintomas. Sociedades médicas ressaltam que a condição é documentada desde 1992 e não tem relação biológica com o imunizante.
Desinformação ampliou resistência
Segundo Mayra Moura, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, o movimento antivacina explorou o episódio, somando-se a tabus sobre sexualidade precoce. O reflexo foi drástico: em 2018 e 2019, menos de 10% dos adolescentes acreanos compareceram aos postos.
Estratégias para virar o jogo
Profissionais de saúde recebem capacitações que incluem técnicas de comunicação. A enfermeira Evelin Plácido defende que conteúdo técnico precisa chegar ao público de forma clara para neutralizar boatos que se espalham em redes como YouTube e TikTok.
Em Porto Walter, município de 11 mil habitantes, a criatividade rendeu resultados: quem se imunizou recebeu ingressos para o “Cinema da Imunização”, com direito a pipoca. A iniciativa elevou a cobertura local para 72% entre meninas e 68% entre meninos em 2025, mostrando que múltiplas abordagens sustentadas podem reverter perdas.
Importância da prevenção
Estudo recente indica cerca de 7,5 mil mortes anuais no Brasil por cânceres associados ao HPV. A vacina distribuída pelo SUS protege contra quatro tipos do vírus, incluindo os oncogênicos 16 e 18. A Organização Mundial da Saúde ressalta que altas coberturas podem eliminar o câncer de colo do útero.
Apesar do trauma de 2017, Renata Quiles afirma que a investigação extensiva acabou fortalecendo a confiança dos gestores: “Foi prova de que a vacina é segura e essencial para salvar vidas”.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
