O Conselho Universitário da UFRRJ aprovou por unanimidade a honraria à parlamentar do PSOL. A decisão reacende debate sobre politização nas universidades federais.
A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) decidiu conceder o título de doutora honoris causa à deputada federal Erika Hilton, do PSOL de São Paulo. Essa escolha reacendeu o debate sobre a concessão de honrarias acadêmicas a políticos que estão em exercício de mandato. A homenagem, aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário da instituição, será entregue em uma cerimônia prevista para o final de junho.
O título de doutor honoris causa é a mais alta distinção que universidades podem conceder e visa reconhecer personalidades que tenham feito contribuições significativas à ciência, educação, cultura ou sociedade. No caso de Erika Hilton, a UFRRJ justificou a homenagem por sua atuação em questões relacionadas aos direitos humanos, diversidade e inclusão social. Segundo a biografia da parlamentar disponível no site da Câmara dos Deputados, ela é formada em Pedagogia.
No entanto, a decisão da universidade gerou críticas de setores que veem uma crescente politização nas universidades públicas. Para esses críticos, a concessão de honrarias a parlamentares em atividade pode ser vista como um apoio institucional a certos projetos políticos, o que comprometeria a imagem de neutralidade que se espera de instituições que recebem financiamento público.
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“O título honorífico deveria ser reservado a cientistas, pesquisadores e artistas, cujas contribuições transcendam a disputa política”, afirmaram críticos da decisão.
Erika Hilton é reconhecida como uma das principais lideranças do PSOL e tem se destacado em temas que frequentemente dividem a opinião pública, o que contribui para a controvérsia em torno da homenagem. Muitos opositores argumentam que, ao homenagear agentes políticos em atividade, as universidades podem dar a impressão de que estão utilizando estruturas públicas para promover determinadas correntes ideológicas.
A discussão também levanta questões sobre os critérios utilizados para a escolha dos homenageados. Embora as universidades tenham autonomia para conceder títulos, defensores de uma abordagem mais objetiva argumentam que é fundamental evitar disputas políticas, especialmente quando se trata de figuras que estão diretamente envolvidas em campanhas e debates partidários.
A UFRRJ, por sua vez, defende que a homenagem reconhece a trajetória social relevante da parlamentar e destaca que a aprovação foi unânime no conselho universitário. Contudo, essa decisão amplia um debate que já é recorrente sobre os limites que existem entre o reconhecimento institucional e o engajamento político nas universidades públicas brasileiras.
