Trump quer comprar Groenlândia e descarta uso da força em Davos
Trump quer comprar Groenlândia sem recorrer à força, afirmou o presidente dos Estados Unidos em discurso no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, em 21 de janeiro de 2026. Ao defender a negociação com a Dinamarca, Donald Trump classificou a ilha como “um pedaço de gelo” estratégico para a segurança norte-americana e internacional.
Trump quer comprar Groenlândia
Durante a apresentação, o líder norte-americano relembrou que Washington manteve bases militares na região durante a Segunda Guerra Mundial e argumentou que a Dinamarca investe pouco na proteção da Groenlândia. “Somente os EUA podem garantir a segurança daquela massa de gelo, desenvolvê-la e torná-la útil para a Europa e para nós”, declarou.
Trump rejeitou a possibilidade de emprego de força militar, frisando que a proposta é estritamente comercial. “As pessoas pensaram que eu usaria a força. Não quero e não usarei”, disse, associando o interesse ao posicionamento geográfico da ilha no Ártico. Ele ainda negou motivação econômica ligada a minerais raros: “Esses recursos estão centenas de metros sob o gelo; trata-se de segurança estratégica”.
Ao justificar a oferta, o presidente comparou a iniciativa a aquisições históricas realizadas por potências europeias e pelos próprios Estados Unidos. Ele citou como exemplo a compra do Alasca em 1867 e enfatizou que pedir a soberania sobre a Groenlândia seria “um pedido pequeno” diante do que, segundo ele, Washington já ofereceu aos aliados ao longo das décadas.
Trump aproveitou o momento para criticar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). De acordo com ele, a aliança não retribui os gastos dos EUA na defesa europeia. “Pagávamos a conta e não recebíamos nada. Tudo que pedimos em retorno é a Groenlândia”, afirmou.
Questionado sobre a política externa, o republicano ainda elogiou as ações de seu governo na Venezuela, dizendo que medidas econômicas têm ajudado a reduzir o preço dos combustíveis nos EUA. Já em relação à Europa, acusou o bloco de adotar políticas energéticas “equivocadas” e reiterou o uso de tarifas comerciais para restabelecer o equilíbrio nas trocas internacionais.
Especialistas em geopolítica apontam que a ilha é fundamental para monitoramento do Atlântico Norte e das rotas árticas. Segundo análise publicada pela BBC, o degelo crescente pode abrir novos corredores marítimos e aumentar o valor estratégico da região.
O governo dinamarquês não respondeu publicamente à nova investida, mas autoridades de Copenhague já haviam rechaçado propostas similares em anos anteriores, afirmando que a Groenlândia “não está à venda”. A administração autônoma da ilha também declarou preferência por manter a relação atual com a Dinamarca.
No mesmo pronunciamento, Trump celebrou indicadores internos, prometeu anunciar um novo presidente para o Federal Reserve e voltou a criticar o atual titular, Jerome Powell, por não reduzir as taxas de juros.
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Crédito da imagem: REUTERS/Jonathan Ernst
Fonte: Agência Brasil
