Em comício em Iowa, Trump afirmou que pode autorizar novos ataques a Teerã nas próximas semanas. A fala ocorre às vésperas das eleições de meio de mandato e reaquece a tensão no Oriente Médio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a endurecer o discurso contra o Irã e declarou que pode intensificar ataques nas próximas semanas, elevando novamente a tensão no conflito no Oriente Médio, que, segundo o texto original, já dura cerca de nove meses.
Ao discursar em um evento de campanha no Estado de Iowa no domingo, 1º, às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, o republicano falou sobre a possibilidade de lançar um “golpe contundente” contra Teerã.
“A única razão pela qual ainda não acabei com o Irã é porque quero ser gentil. Quero tentar salvar todas essas vidas, se puder”,
“Mas, em algum momento, teremos de desferir um golpe contundente contra eles.”
Na véspera, Trump havia afirmado que os EUA destruíram grande parte da capacidade militar iraniana, mas que ainda faltavam “um ou dois” alvos. As declarações contrariaram o clima de maior otimismo que tomou conta do mercado nesta segunda-feira, 2, e se refletiram em queda nos preços internacionais do petróleo.
O avanço das conversas em torno de um possível acordo de paz, mediadas por autoridades do Catar, trouxe esperança de que o conflito possa chegar ao fim e levar à normalização do abastecimento de petróleo no Oriente Médio.
Depois das novas ameaças de Trump, o regime iraniano reagiu por meio de um porta-voz do Exército, Mohamad Akraminia, que disse, segundo a TV estatal do país:
“Uma eventual guerra futura poderá durar mais do que o conflito anterior, e o presidente norte-americano não estará em condições de ditar nem o cronograma nem as condições para seu encerramento”
Informações divulgadas apontam que representantes iranianos encerraram negociações com mediadores do Catar em torno de um possível fim da guerra com os EUA e que uma minuta de proposta que suspende o conflito estaria circulando nos bastidores, ainda sem confirmação oficial dos países envolvidos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que as negociações mediadas pelo Catar estavam “em andamento e progredindo” e que Teerã estaria preparada “tanto para quanto para a diplomacia”.
A nova rodada de conversas entre EUA e Irã ocorre após aumento nos ataques a petroleiros que transitam pelo Estreito de Ormuz, canal estratégico entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos. O estreito concentra cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL), razão pela qual é considerado crucial para a economia global.
O cenário segue volátil: há negociações em andamento com sinais de progresso, mas também mensagens claras de escalada militar vindas de líderes e porta-vozes, que mantêm em aberto o risco de novos confrontos que podem afetar mercados e rotas marítimas essenciais.
