Trump ameaça genocídio e diz que destruirá civilização iraniana ao condicionar a existência do Irã à reabertura do Estreito de Ormuz, anunciou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última terça-feira (7 de abril de 2026).
Trump ameaça genocídio e diz que destruirá civilização iraniana
Durante um comunicado público, Trump declarou que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, caso Teerã não restabeleça imediatamente o livre tráfego no estratégico Estreito de Ormuz. A cultura persa, herdeira de uma história estimada entre 2,5 mil e 3 mil anos, corre, segundo o mandatário, o risco de ser “reduzida à Idade da Pedra”.
Especialistas em direito internacional consideram a retórica um grave atentado contra os princípios que regem as relações entre Estados. Gustavo Vieira, professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), explicou que ameaças de extermínio configuram crimes de genocídio e contra a humanidade, tipificados desde o Tribunal de Nuremberg e consolidados no Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional.
Vieira lembrou que convenções internacionais, como a Convenção para a Prevenção do Genocídio, proíbem ataques a populações civis e exigem proporcionalidade em ações militares. “Aniquilar uma nação para forçar a abertura de uma rota marítima é manifestamente desproporcional e coloca em risco a paz mundial”, disse.
Elaini Silva, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e doutora pela USP, afirmou que o pronunciamento viola diretamente a Carta das Nações Unidas. “Quando a ameaça ultrapassa o uso pontual da força e se transforma em promessa de extermínio, estamos diante de crimes com responsabilidade pessoal do governante”, avaliou.
A postura de Trump contrasta até mesmo com líderes envolvidos em outros conflitos recentes. Para Gustavo Vieira, “nem Vladimir Putin em relação à Ucrânia ignora completamente o direito internacional; ele ao menos tenta justificar-se. Trump, não”.
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No mesmo dia do pronunciamento, repórteres perguntaram repetidamente ao presidente se ele admitia estar propondo crimes de guerra. Trump evitou responder, limitando-se a solicitar “outra pergunta” e acusar o New York Times de falta de credibilidade ao ser questionado sobre a legalidade de atacar infraestrutura civil.
Para o antropólogo Paulo Hilu, da Universidade Federal Fluminense (UFF), ameaças externas tendem a fortalecer o nacionalismo iraniano. “Os iranianos têm consciência histórica muito forte; a possibilidade de destruição unifica a sociedade em torno de qualquer regime que prometa defender a soberania nacional”, observou.
Mesmo sem uma ofensiva total, os danos ao patrimônio cultural já se acumulam. Dados da Unesco indicam que ao menos 160 monumentos foram danificados em incursões de forças dos EUA e de Israel. Autoridades iranianas relatam ainda ataques a cerca de 300 unidades de saúde e 600 centros educacionais desde 28 de fevereiro.
No comunicado, Trump disse “não querer” o genocídio, mas acrescentou que “provavelmente acontecerá”. Ele encerrou pedindo que “Deus abençoe o grande povo do Irã”, declaração vista por analistas como contraditória diante da ameaça de destruição.
As declarações acentuam temores de uma corrida armamentista no Oriente Médio. “Se a maior potência nuclear do planeta legitima a aniquilação de um povo, outros Estados aumentarão investimentos em defesa”, alertou Vieira.
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Crédito da imagem: Reuters/Jonathan Ernst
Fonte: Agência Brasil
