Transtornos de saúde geram 28% dos sinistros em rodovias federais entre 2014 e 2024, segundo levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) com base em registros da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Impacto dos transtornos de saúde no trânsito
De acordo com a Abramet, 1.206.491 sinistros em rodovias federais tiveram origem em condições de saúde física ou mental dos condutores, como ausência de reação, sonolência, falta de atenção, transtornos mentais, mal súbito, uso de substâncias psicoativas, doenças oculares e problemas motores ou neurológicos. O total corresponde a 27,8% das 4.339.762 ocorrências analisadas no período.
Fator humano domina registros de sinistros
O estudo mostra que 49% dos sinistros (2.144.175 casos) decorrem de comportamentos inadequados ao volante, notadamente ultrapassagens em locais proibidos e excesso de velocidade, ambos classificados pela PRF como fator humano. Somados, fator humano e transtornos de saúde representaram quase 80% de todas as ocorrências em estradas federais, evidenciando a importância de políticas de prevenção voltadas ao motorista.
Condições da via, veículo e ambiente
Problemas estruturais das rodovias — incluindo geometria inadequada, pavimento defeituoso e falta de sinalização — responderam por 8% dos casos. Já falhas na conservação do veículo, como freios, pneus e suspensão em mau estado, representaram quase 7%. Situações ambientais, a exemplo de chuvas intensas, neblina e presença de animais na pista, completam o quadro com 4% dos registros.
Distribuição geográfica das ocorrências
A média nacional de 28% esconde diferenças relevantes entre as unidades da Federação. Os dez estados acima desse índice incluem Roraima (35,1%), Mato Grosso do Sul (32,1%), Pará (30,3%), Rio Grande do Sul (30,1%) e Piauí (30%). Outros quinze estados ficaram abaixo da média, enquanto o Acre manteve o mesmo percentual do país.
Em números absolutos, Minas Gerais liderou com 154.648 sinistros provocados por questões de saúde. Na sequência aparecem Paraná (134.358), Santa Catarina (120.665), Rio Grande do Sul (95.059) e São Paulo (84.250). Na ponta oposta, Acre (4.219), Amazonas (2.896) e Amapá (2.681) registraram os menores volumes.
Especialistas defendem atenção à saúde do condutor
Para a Abramet, a metodologia adotada pela PRF, que inclui o registro detalhado das circunstâncias dos sinistros, permite identificar com clareza a influência do estado físico e emocional dos motoristas. A entidade reforça a necessidade de programas regulares de avaliação médica, campanhas educativas e fiscalização do uso de substâncias psicoativas. Em nota publicada em seu site oficial, a associação destaca que “ações preventivas integradas podem reduzir significativamente os acidentes e salvar vidas”.
A PRF também recomenda intervalos regulares de descanso, manutenção preventiva dos veículos e observância rigorosa aos limites de velocidade, sobretudo em rotas de longa distância.
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Crédito da imagem: PRF
Fonte: PRF
