Tortura em Israel é política de Estado, denuncia ONU. A tortura em Israel, direcionada a crianças, mulheres e homens palestinos, é descrita como “sistemática, generalizada e doutrinária” pela relatora especial da ONU para os direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, em relatório divulgado recentemente.
Relatório detalha padrões de abuso
Em 23 páginas, Albanese reuniu mais de 300 depoimentos de sobreviventes, denunciantes israelenses e organizações que atuam em presídios. O documento relata práticas que incluem estupro — muitas vezes coletivo e com objetos —, fome induzida, privação de sono, afogamento simulado, queimaduras de cigarro, choques elétricos e uso de cães de ataque. Segundo a relatora, o apoio aos abusos parte dos altos escalões do Executivo, Legislativo, Judiciário e da sociedade civil.
Crianças palestinas também são alvo. Detidas sob regime administrativo, ficam sem acusação formal, sem contato familiar e com acesso restrito a advogados. Desde outubro de 2023, Israel teria prendido mais de 18,5 mil palestinos, incluindo ao menos 1,5 mil menores.
Escalada e impunidade
O texto afirma que ofensas outrora “nas sombras” passaram a ocorrer abertamente, transformando humilhação e dor em instrumento de controle. Entre 2001 e 2020, mais de 1.300 queixas de tortura resultaram em apenas duas investigações e nenhuma acusação formal. Em fevereiro de 2025, um reservista recebeu pena de sete meses por agredir detentos amarrados; foi o único caso julgado no período recente.
A relatora associa a piora das condições a diretrizes do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, que declarou ter promovido “revolução prisional”. Reduções drásticas de calorias e restrições a atendimento médico teriam levado à morte de Walid Khalid Ahmad, de 17 anos, em março de 2025, após quadro de inanição e infecções não tratadas.
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Resposta de Israel e acusações de antissemitismo
Impedida de entrar no país, Albanese elaborou o relatório a partir de fontes externas. A missão israelense em Genebra rotulou o documento como “ativista” e acusou a autora de antissemitismo, afirmando que o texto “mina a credibilidade” dos órgãos de direitos humanos da ONU.
Um episódio citado ganhou repercussão quando um vídeo vazado mostrou suposto estupro coletivo na prisão militar de Sde Teiman, em julho de 2024. O denunciante foi processado, enquanto os soldados envolvidos tiveram as acusações retiradas em março de 2025, ato elogiado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
ONU pede ação internacional
Albanese conclui que a institucionalização da tortura integra “arquitetura do colonialismo de assentamento” e faz parte de um genocídio em curso. Ela convoca Estados a cumprirem sua obrigação legal de prevenir e punir tais violações. Detalhes adicionais podem ser consultados no portal do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, organismo responsável por monitorar tratados internacionais.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Reuters
