Tolerância de dirigentes a técnicos estrangeiros é 20% maior no futebol brasileiro, revela levantamento que comparou 100 demissões na Série A entre 2019 e 2026. O estudo indica que treinadores de fora do país permanecem no cargo mesmo quando o desempenho despenca a patamares que, para técnicos brasileiros, significam demissão imediata.
Tolerância de dirigentes a técnicos estrangeiros é 20% maior
O estudo, realizado pelo Bolavip Brasil, examinou os 28 clubes que disputaram ao menos uma edição da Série A no período analisado. Em cada desligamento, foi calculado o aproveitamento de pontos nas dez partidas anteriores à decisão da diretoria.
Os números apontam que técnicos brasileiros foram dispensados quando atingiram média de 42,5% de aproveitamento, ao passo que profissionais estrangeiros só perderam o cargo após registrarem 34,1%. A diferença de 8,4 pontos percentuais representa uma margem de tolerância 20% maior para quem chega com passaporte internacional.
Casos extremos reforçam a disparidade. O argentino Gabriel Milito, por exemplo, foi demitido do Atlético-MG em 2024 após somar apenas 10% dos pontos possíveis em dez jogos. Na mesma faixa aparecem Juan Pablo Vojvoda, ex-Fortaleza, e o português Pepa, ex-Sport, ambos desligados com 16,6% de aproveitamento. Nenhum treinador brasileiro sobreviveu a índices tão baixos.
Na outra ponta, nomes nacionais sentem a pressão mesmo em cenários de rendimento positivo. Filipe Luís deixou o Flamengo com 53,3% de aproveitamento, enquanto Rogério Ceni acumulou 63,3% antes de ser dispensado por Flamengo e São Paulo. Enderson Moreira, recordista de demissões no intervalo pesquisado, caiu quatro vezes, sempre acima de 55%.
Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
A pesquisa também definiu o ponto de corte médio para troca de comando: 41,4% de aproveitamento nos dez jogos anteriores à saída. Dentro desse parâmetro, apenas estrangeiros receberam nova chance apesar de pontuações bem inferiores, reforçando a percepção de que trajetórias vindas do exterior são vistas como projetos que merecem prazo estendido.
Embora não investigue as razões, o levantamento sugere fatores como a crença na “metodologia europeia” e o custo de rescisões contratuais mais altos para justificar a paciência adicional. Para especialistas, o dado expõe um mercado que, ao mesmo tempo em que se mostra impaciente com resultados, mantém dois pesos e duas medidas conforme a nacionalidade do profissional.
No cenário de constante troca de treinadores, entender o grau de tolerância pode ajudar clubes a planejar projetos esportivos mais sólidos e a torcedores a interpretar decisões que, à primeira vista, parecem incoerentes.
Quer acompanhar mais análises sobre o futebol nacional? Visite a editoria de Esportes do Giro pela Bahia e continue informado.
Crédito da imagem: Divulgação
Fonte: Bolavip Brasil
