O empresário Thiago Brennand foi condenado a mais de 31 anos de prisão por uma série de crimes, incluindo obrigar uma ex-namorada a tatuar em seu corpo as iniciais do seu nome. A sentença foi proferida nesta segunda-feira, 13, pela Justiça de Porto Feliz, em São Paulo. Além da pena de reclusão, ele também foi condenado a pagar R$ 100 mil de indenização à vítima. A defesa de Brennand ainda pode recorrer da decisão.
O caso remonta a agosto de 2021, quando a mulher, que residia nos Estados Unidos, retornou ao Brasil para visitar os pais em Recife. Durante esse período, ela foi convidada por Brennand a se encontrar com ele e acabou sendo levada para um condomínio na cidade de Porto Feliz, onde viveu três dias de terror, conforme seu depoimento.
A vítima relatou ter sido forçada a manter relações sexuais sem preservativo e agredida por recusar os avanços do empresário. O momento mais chocante ocorreu quando um tatuador foi chamado para marcar a mulher com as iniciais “TBV”, um ato que Brennand justificou como uma forma de “marcá-la como propriedade dele”. Após a denúncia, a mulher passou por exames periciais e foram coletadas imagens da tatuagem, que foram anexadas ao inquérito.
Brennand, por sua vez, tentou silenciar a vítima ao divulgar vídeos íntimos dela, na tentativa de forçá-la a retirar a queixa. O caso chegou a ser arquivado, mas foi reaberto após novas denúncias de outras mulheres contra o empresário.
O Ministério Público denunciou Brennand por cinco casos de estupro, cárcere privado, tortura e lesão corporal grave, entre outros crimes. A promotoria ainda destacou práticas de constrangimento ilegal e ameaças feitas à vítima.
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Após análise das provas, o juiz acatou parcialmente as denúncias e condenou Brennand pelos crimes de registro não autorizado de ato sexual íntimo, constrangimento ilegal, dois casos de estupro, lesão corporal, coação no curso do processo e divulgação de cena de estupro.
O crime de lesão corporal está relacionado à tatuagem forçada, que causou dor e deixou marcas permanentes na pele da mulher. Brennand foi absolvido de algumas acusações, como de tortura e ameaças, bem como o homem que supostamente ajudou no cárcere privado.
Com a decisão, Brennand recebeu uma pena total de 31 anos, 5 meses e 24 dias de reclusão. O juiz decidiu manter a prisão preventiva do empresário, que já está cumprindo pena por outras condenações em uma penitenciária no interior de São Paulo.
Esta condenação surge poucos dias após Brennand ter sido absolvido de outra acusação de estupro por um tribunal paulista, o que gerou uma série de repercussões e reações por parte da defesa da vítima, que já recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão anterior.
