Terras raras: Lula reafirma soberania brasileira na exploração Terras raras e demais minerais críticos continuarão sob controle nacional, declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia em Campinas, interior de São Paulo, ao reiterar que o Brasil aceitará parcerias estrangeiras somente se a soberania sobre esses recursos for preservada.
Terras raras: Lula reafirma soberania brasileira na exploração
Na solenidade, realizada no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), o chefe do Executivo frisou que “não temos preferência por ninguém” e citou possíveis investidores da China, Alemanha, França, Japão e Estados Unidos. Entretanto, condicionou qualquer acordo ao atendimento dos interesses estratégicos do país: “Os minerais críticos e as terras raras são nossos e queremos explorá-los aqui dentro”.
Contexto estratégico dos minerais críticos
A fala ocorre em meio à crescente disputa global por elementos fundamentais para tecnologias de transição energética, semicondutores e sistemas de comunicação. De acordo com relatório da International Energy Agency, a demanda mundial por terras raras poderá triplicar até 2030. O Brasil, que possui reservas expressivas, busca posicionar-se como fornecedor de alto valor agregado, evitando repetir o modelo de simples exportação de matéria-prima.
Lula destacou a importância do conhecimento científico nacional para acelerar esse processo. Pesquisadores do CNPEM deverão mapear as jazidas com precisão e desenvolver rotas tecnológicas capazes de transformar o minério em produtos de maior valor, encurtando prazos e custos. “Sem ciência, vamos levar muito tempo cavando buracos; com inteligência, damos um salto de qualidade”, afirmou.
Sirius: nova infraestrutura para pesquisa avançada
O discurso foi feito na inauguração de quatro novas linhas de luz do acelerador de partículas Sirius – Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê. Construída com R$ 800 milhões do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), a expansão amplia a capacidade de investigação em áreas como saúde, agroenergia, clima e nanotecnologia.
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A linha Quati, por exemplo, permitirá análises de minerais críticos e terras raras em escala atômica, fornecendo dados essenciais para processos de beneficiamento. Já a Tatu, primeira de quarta geração a operar no espectro de terahertz, apoiará estudos de dispositivos fotônicos e materiais quânticos, essenciais à indústria de chips.
Investimentos e política industrial
Ao defender o aporte de recursos públicos, o presidente argumentou que “qualquer quantidade de milhões é pequena diante do retorno” científico e econômico esperado. A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, afirmou que o avanço coloca o Brasil em posição de liderança e rompe a antiga dependência de laboratórios estrangeiros.
O evento também marcou o lançamento da pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, que pretende reduzir a dependência de importações no Sistema Único de Saúde (SUS) através do desenvolvimento de biossensores, dispositivos médicos e novos diagnósticos no próprio CNPEM.
Com a combinação de infraestrutura de ponta, pesquisa aplicada e política industrial, o governo busca integrar a cadeia de terras raras desde a extração até a manufatura de produtos de alto valor, fortalecendo a autonomia econômica e tecnológica do país.
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Crédito da imagem: Ricardo Stuckert / PR
Fonte: Agência Brasil
