As eleições de 2026 consolidaram derrotas de velhas lideranças nacionais. Em São Paulo, o governador incumbente venceu por ampla margem; Fernando Haddad obteve 36% e não avançou.
As eleições gerais de 2026 consolidaram um padrão que vinha se repetindo nas últimas décadas: lideranças já conhecidas no cenário nacional voltaram a disputar cargos e saíram das urnas sem vitória. Em São Paulo, a disputa pelo governo teve desfecho favorável ao incumbente Tarcísio de Freitas (Republicanos), que foi reeleito com 63% dos votos, enquanto Fernando Haddad (PT) ficou com 36% e não alcançou o segundo turno.
Haddad havia tentado outras vezes cargos executivos e, segundo o histórico da campanha, já havia perdido para Tarcísio em 2022, ocasião em que houve segundo turno na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Em campanhas anteriores, o petista perdeu a Presidência em 2018 para Jair Bolsonaro no segundo turno e, em 2016, não conseguiu se reeleger como prefeito de São Paulo, sendo derrotado por João Doria ainda no primeiro turno.
Na chapa de Haddad, o vice Márcio França (PSB) também acumulou mais um revés eleitoral, completando quatro derrotas consecutivas nas urnas. França já havia sido candidato em várias disputas: tentou a reeleição ao governo em 2018 e perdeu para Doria no segundo turno; ficou em terceiro na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2020; disputou o Senado em 2022 e perdeu a vaga para Marcos Pontes (PL); e agora, como vice na chapa de Haddad, somou novo insucesso.
O percurso político de França incluiu passagens pelo governo e pelo Ministério. Em janeiro de 2023, assumiu o cargo de ministro de Portos e Aeroportos, função que ocupou por oito meses antes de ser remanejado para o recém-criado Ministério do Empreendedorismo, conforme a articulação ministerial que marcou o início do atual governo.
Além do PT e de seus aliados em São Paulo, outras lideranças conhecidas também tiveram resultados desfavoráveis nas eleições de 2026. Simone Tebet (PSB) terminou a disputa pelo Senado em São Paulo na terceira colocação, atrás de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). Marina Silva (Rede), eleita deputada federal por São Paulo em 2022, encerrou a disputa ao Senado por São Paulo em quarto lugar, na sequência de três tentativas frustradas à Presidência em 2010, 2014 e 2018.
Outros nomes com histórico de vitórias ou de longa trajetória política também registraram derrotas em 2026. Ciro Gomes (PSDB) tentou reconquistar o governo do Ceará, mas perdeu para Elmano de Freitas (PT), que se reelegeu no primeiro turno; a derrota deste ano se soma às tentativas presidenciais de 1998, 2022, 2018 e 2022. Eduardo Paes (PSD) foi derrotado no primeiro turno na disputa pelo governo do Rio de Janeiro, ficando atrás de Douglas Ruas (PL). Germano Rigotto (MDB) e Jorge Viana (PT) também acumularam insucessos em diferentes pleitos, incluindo disputas ao Senado e ao Executivo.
O quadro eleitoral de 2026, portanto, reforçou a ideia de que nomes consolidados nacionalmente podem enfrentar ciclos de vitórias e derrotas, com resultados variados conforme a geografia e a conjuntura política de cada Estado.
