Em setembro, um Super El Niño aqueceu o Pacífico e gerou três furacões simultâneos — evento raro e intenso. ONU e meteorologistas classificam como excepcional; previsão é de fortalecimento até fevereiro de 2027.
Um Super El Niño, fenômeno ligado ao aquecimento da superfície do oceano, causou a formação simultânea de três furacões no Pacífico neste início de setembro. A sequência de tempestades chamou a atenção de centros meteorológicos e de organizações internacionais pela intensidade e pelo contexto climático em que ocorreram.
Previsões, de acordo com a Sky News, revelam que o episódio deste ano deve ganhar força nos próximos meses e permanecer ativo até fevereiro de 2027. A Organização das Nações Unidas descreveu o evento como excepcional, comparando-o a uma versão ampliada do El Niño tradicional.
O El Niño costuma surgir de forma irregular, a cada dois a sete anos, e normalmente dura entre nove e 12 meses. A projeção atual, porém, indica uma intensidade incomum.
Como sinal dessa intensidade, registrou-se uma sequência de furacões no Pacífico: o furacão Lowell chegou à categoria 5, o nível máximo da escala, na quarta-feira, mas depois perdeu força e passou para a categoria 3. O Karina também apresentou enfraquecimento, caindo da categoria 3 para a categoria 2 a leste das ilhas havaianas e, de acordo com o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, a tendência era de nova redução de intensidade nas 48 horas seguintes. Já o Marie seguia em sentido oposto: localizado a cerca de 400 milhas (aproximadamente 640 quilômetros) da costa da península mexicana da Baixa Califórnia, o furacão estava ganhando força.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) e outras instituições projetaram um El Niño excepcionalmente intenso. A possibilidade de um chamado Super El Niño está associada a temperaturas do oceano pelo menos 2°C superiores à média.
Os furacões se formam quando o oceano está muito quente, condição também relacionada ao El Niño, que fornece calor e umidade à atmosfera. O ar úmido sobe, libera calor ao formar nuvens e reduz a pressão atmosférica. Uma perturbação inicial, combinada com a rotação da Terra, organiza esse movimento em espiral. Se os ventos em altitude não forem fortes o suficiente para desestruturar o sistema, ele pode se intensificar.
Uma previsão divulgada pela NOAA no mês passado estimou em 69% a probabilidade de o episódio se tornar o El Niño mais forte já registrado. Pesquisadores já vinham monitorando desde 2025 uma extensa onda de calor marinha — um período prolongado de temperaturas oceânicas anormalmente altas.
Estudos preliminares do grupo Climate Central indicaram que cerca de 94% do Pacífico apresentou condições de onda de calor desde janeiro, e em algumas áreas as temperaturas chegaram a ficar até 2°C acima do padrão normal.
“Temperaturas em todo o oceano Pacífico estão elevadas, e certamente observamos isso na área por onde esses furacões e ciclones tropicais estão passando.”
O Centro Nacional de Furacões também alertou para a possibilidade de ondas fortes atingirem trechos do litoral sudoeste do México e da Baixa Califórnia ao longo do fim de semana, com efeitos que poderiam alcançar o sul da Califórnia.
