Sul Global pode alterar lógica econômica mundial, diz Lula Sul Global foi a expressão escolhida por Luiz Inácio Lula da Silva para defender que as nações em desenvolvimento atuem em bloco a fim de transformar a ordem econômica internacional e reduzir a dependência de superpotências.
Sul Global pode alterar lógica econômica mundial, diz Lula
Em entrevista coletiva concedida na madrugada de 22 de fevereiro, pouco antes de deixar Nova Délhi rumo a Seul, o presidente brasileiro afirmou que “países como Índia, Brasil e Austrália precisam negociar juntos”, pois, segundo ele, isoladamente a tendência “é perder” nas mesas internacionais. Para Lula, a cooperação entre economias emergentes tem potencial para “mudar a lógica econômica do mundo”.
Brics como instrumento de mudança
O presidente destacou que o Brics – bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – já contribui para essa nova dinâmica ao ter criado um banco próprio e buscar maior integração com o G20. Ele rejeitou novamente a ideia de uma moeda única, mas defendeu expandir o comércio em moedas locais para diminuir custos e a dependência do dólar. “Os Estados Unidos não vão gostar de imediato, mas o debate é necessário”, disse.
Multilateralismo e reforma da ONU
Lula voltou a cobrar legitimidade e eficácia para a Organização das Nações Unidas, citando crises na Venezuela, em Gaza e na Ucrânia como exemplos de que decisões unilaterais precisam ser contidas por instâncias multilaterais. Para ele, a ONU deve “manter a paz e a harmonia no mundo” e ganhar representatividade para desempenhar esse papel.
Relações com os Estados Unidos
Ao comentar o diálogo com Washington, o presidente afirmou que parcerias são possíveis caso os norte-americanos queiram combater o crime organizado transnacional. “Se estiverem dispostos a enfrentar o narcotráfico, estaremos na linha de frente”, frisou, mencionando ainda o interesse em repatriar criminosos brasileiros que vivem nos EUA. Lula pretende discutir o papel norte-americano na América do Sul em encontro futuro com Donald Trump.
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Parceria estratégica com a Índia
Na capital indiana, Lula avaliou como “extraordinária” a conversa com o primeiro-ministro Narendra Modi. Segundo ele, o foco foi ampliar o comércio bilateral e buscar formas de tornar ambas as economias “altamente desenvolvidas”. Empresários indianos instalados no Brasil, relatou o presidente, se disseram dispostos a aumentar investimentos.
Minerais críticos e agregação de valor
O chefe do Executivo reiterou que o Brasil está aberto a investimentos estrangeiros em minerais críticos e terras raras, mas condicionou o acesso à transformação industrial em território nacional. “Não permitiremos repetir o modelo do minério de ferro, exportado bruto durante décadas para depois comprarmos o produto manufaturado”, afirmou.
Agenda asiática
Lula partiu para a Ásia em 17 de fevereiro com o objetivo de fortalecer o comércio e firmar parcerias estratégicas com Índia e Coreia do Sul. Em Seul, ele deve adotar com o presidente Lee Jae Myung o Plano de Ação Trienal 2026-2029, elevando o relacionamento bilateral a uma parceria estratégica.
Ao enfatizar que o Sul Global precisa “somar potencial” para se tornar mais forte, Lula concluiu que a próxima década pode ser decisiva para reposicionar economias emergentes no tabuleiro internacional.
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Crédito da imagem: Canal Gov
Fonte: Canal Gov
