A primeira sessão após a liberação do relatório da PF teve ministros conversando e rindo fora do plenário. Entre sorrisos e pequenas conversas, o ambiente contrastou com o silêncio sobre o caso Moraes-Mendonça.
A primeira sessão do Supremo Tribunal Federal após o ministro André Mendonça retirar o sigilo do relatório da Polícia Federal foi marcada por um contraste entre a repercussão do episódio e o ambiente observado fora do plenário.
O titular desta coluna acompanhou pelo menos dois momentos, longe das câmeras, em que ministros conversaram de maneira amistosa e deram risadas. No intervalo da sessão de quarta-feira (2), integrantes da Corte deixaram o plenário conversando entre si e mantiveram o clima descontraído.
Depois do encerramento dos trabalhos, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Edson Fachin voltaram a se reunir, desta vez no Salão Branco do STF, onde permaneceram conversando e deram boas gargalhadas antes de deixar a Corte.
André Mendonça deixou o prédio caminhando ao lado de um assessor e não se juntou ao grupo naquele momento. O ministro seguiu pela calçada do Supremo, foi reconhecido por pessoas que transitavam pelo estacionamento e não falou com jornalistas.
A cena, por si só, não permite estabelecer relação entre o comportamento de Mendonça e a repercussão do relatório da Polícia Federal, que reúne, entre outros elementos, conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Dentro do plenário, o assunto também ficou de fora. Os ministros não abordaram publicamente o episódio envolvendo Mendonça e Moraes durante a sessão e também evitaram manifestações à imprensa.
Segundo fontes ouvidas, o tema tem sido tratado reservadamente nos bastidores da Corte. Em público, ministros têm evitado entrar no tema durante sessões destinadas ao julgamento de outros processos, preservando a pauta das sessões para as matérias agendadas.
O contraste entre o tom mais leve observado nos corredores e o silêncio institucional nos atos públicos reflete a estratégia de manutenção da rotina de trabalho enquanto questões sensíveis são discutidas em caráter reservado. A ausência de manifestações públicas sobre o conteúdo do relatório e a postura de distanciamento oficial por parte dos ministros reforçam a cautela adotada pela Corte neste momento.
O episódio continuará a repercutir nos espaços de bastidores, ao mesmo tempo em que as sessões do Supremo seguem com a pauta prevista, sem que, até o encerramento desta edição, o tema tenha sido incluído para debate público no plenário.
