STF apura emendas para produtora de filme sobre Bolsonaro
STF apura emendas para produtora de filme sobre Bolsonaro é a palavra de ordem na investigação que envolve o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a destinação de, ao menos, R$ 2 milhões em emendas parlamentares a organizações ligadas à produção do longa-metragem Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Intimação a Mário Frias segue sem resposta
Em 21 de março, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu cinco dias para Frias explicar a transferência dos recursos. Oficial de Justiça esteve no gabinete do parlamentar na Câmara em três ocasiões, entre março e abril, mas recebeu a informação de que ele se encontrava em compromissos de campanha em São Paulo. Até o momento, o parlamentar não foi localizado para receber a intimação.
Origem da denúncia e valores envolvidos
A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) acionou o STF após reportagem do The Intercept Brasil apontar que a Academia Nacional de Cultura (ANC) recebeu R$ 2,6 milhões em emendas de parlamentares do Partido Liberal, mesmo partido de Bolsonaro. A ONG é presidida por Karina Ferreira da Gama, que também comanda o Instituto Conhecer Brasil e a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.
Defesas apresentadas por outros deputados
Citados na mesma matéria, os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon já enviaram suas defesas ao Supremo. Pollon confirmou a indicação de R$ 1 milhão para a série documental “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”, mas diz ter redirecionado o valor ao Hospital de Amor de Barretos após o projeto não cumprir requisitos técnicos. Bia Kicis, que destinou R$ 150 mil ao mesmo projeto, negou qualquer vínculo entre a emenda e o filme Dark Horse, classificando a denúncia como “erro metodológico e jurídico”.
Mensagens atribuem busca de recursos a Flávio Bolsonaro
Gravações divulgadas na última quarta-feira (13) mostram o senador Flávio Bolsonaro solicitando ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, cerca de R$ 134 milhões para financiar a produção. Pelo menos R$ 61 milhões teriam sido liberados, segundo a reportagem. Nos áudios, o senador menciona “parcela atrasada” e pressa para evitar impactos negativos na obra.
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Produtora nega uso de dinheiro público
Roteirista e produtor executivo do filme, Mário Frias sustentou que nenhum valor do Banco Master ou de Vorcaro chegou à Go Up Entertainment. Segundo ele, Dark Horse é “superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado”. O deputado afirmou ainda que custos superiores aos de produções premiadas se justificam pelo elenco internacional e pelo tamanho do projeto.
Posicionamento da Câmara e próximos passos
A Advocacia da Câmara dos Deputados informou ao STF não haver irregularidades processuais nas emendas de Frias citadas por Tabata. Mesmo assim, Flávio Dino mantém a apuração. Caso o deputado siga sem ser intimado, o ministro pode autorizar novas medidas para garantir sua oitiva e verificar possível violação de preceitos fundamentais relacionados à transparência e ao uso de verbas públicas.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
