Lançada do Texas, a Starship de mais de 120 metros alcançou órbita após separação do Super Heavy cerca de 26 minutos depois do voo. Foi o 14º teste e marca avanço rumo a futuras missões à Lua e Marte.
A SpaceX colocou a Starship em órbita da Terra pela primeira vez nesta segunda-feira (28), num marco para o desenvolvimento do megafoguete projetado para futuras missões à Lua e a Marte. O lançamento ocorreu no Texas, nos Estados Unidos, e foi o 14º voo de teste da nave.
Com mais de 120 metros de altura, a Starship decolou cercada por uma nuvem de fumaça. Cerca de 26 minutos após o lançamento, o estágio superior se separou do propulsor Super Heavy e alcançou a órbita prevista.
A missão foi planejada inicialmente para seguir uma trajetória suborbital, como medida de segurança. Durante o voo, porém, a equipe da SpaceX decidiu realizar uma segunda queima dos motores para colocar a nave em órbita. O procedimento foi concluído com sucesso.
“Starship is orbital” (“A Starship está em órbita”)
O anúncio foi feito por um integrante da equipe de lançamento, sob aplausos e comemoração dos profissionais que acompanhavam a missão. Poucos minutos depois da inserção orbital, a nave começou a liberar 26 satélites Starlink de nova geração, que devem integrar a constelação de internet via satélite da empresa.
Para alcançar a órbita planejada, a Starship precisou atingir aproximadamente 28 mil km/h. A nave foi colocada em uma órbita circular a cerca de 275 quilômetros acima da superfície terrestre.
Segundo Kathleen Curlee, analista do Center for Security and Emerging Technology da Universidade Georgetown, a segunda queima realizada durante o voo estava entre as etapas mais complexas do teste, por exigir cálculos e controle mais precisos diante das diferentes condições de gravidade enfrentadas pelo foguete.
A missão deve durar cerca de dez horas. A previsão é que a Starship dê seis voltas ao redor da Terra antes de terminar o voo no Oceano Pacífico. Já o Super Heavy, primeiro estágio do foguete, se separou pouco depois da decolagem e caiu em águas do Golfo do México.
Os resultados deste voo representam mudança em relação a testes anteriores da Starship. Missões anteriores foram feitas em trajetórias suborbitais, consideradas menos exigentes, e algumas terminaram com a destruição da nave durante o voo. O objetivo da empresa é desenvolver um sistema totalmente reutilizável, capaz de realizar voos comerciais e transportar cargas e pessoas, além de ser usado em futuras missões lunares e, posteriormente, em viagens a Marte.
Entre os próximos desafios estão testes de reabastecimento da nave em órbita e o desenvolvimento de tecnologias para ampliar a capacidade de transporte do foguete. Apesar do avanço alcançado neste teste, a Starship ainda enfrenta desafios técnicos antes de ser utilizada regularmente em missões comerciais. O programa também passou por atrasos e sucessivos ajustes ao longo dos últimos anos.
A SpaceX, fundada por Elon Musk, utiliza atualmente os foguetes Falcon, parcialmente reutilizáveis, em grande parte de seus lançamentos, e pretende aplicar a mesma estratégia de reutilização à Starship, considerada o maior e mais potente foguete já desenvolvido. Após o teste desta segunda-feira, a empresa prevê outros três lançamentos ainda nesta semana, incluindo uma missão que levará astronautas à Estação Espacial Internacional.
