O Alto Vale do Paranapanema concentra a maior parte da produção: Itaí tem 170 ha e Paranapanema cerca de 20 ha. Produtores esperam passar dos 200 ha na próxima safra, impulsionados pela demanda externa.
O Estado de São Paulo responde por 80% de toda a produção de lichia no Brasil, e a maior parte das plantações concentra-se no sudoeste paulista, na região do Alto Vale do Paranapanema. A liderança no ranking nacional vem da cidade de Itaí, que reúne cerca de 170 hectares de pomares em desenvolvimento. Em seguida aparece Paranapanema, com aproximadamente 20 hectares.
A expectativa é que as plantações na região passem dos 200 hectares já na próxima safra, impulsionadas tanto pela aptidão do clima e do solo quanto pela demanda externa. Produtores paulistas têm aproveitado a diferença de calendário entre hemisférios para ampliar vendas ao mercado europeu, que consome a fruta em maior volume nas festividades de fim de ano.
No Brasil, a colheita acontece no verão, entre dezembro e fevereiro, justamente quando o hemisfério Norte tem oferta menor. Esse calendário favorece preços competitivos para exportação.
“A nossa época de colheita favorece a exportação da fruta a preços muito competitivos para o mercado europeu, onde a mesma é muito consumida nas festividades de final de ano.”
A declaração acima foi feita por Euvaldo Neves Pereira Junior, engenheiro agrônomo e chefe da CATI Regional Avaré. Segundo ele, o período de colheita ajuda a atrair compradores de outros países e atualmente existem pedidos de até 150 toneladas voltados só para a exportação.
As condições naturais explicam o desempenho do sudoeste paulista: inverno seco e frio, sem geadas, altitude entre 600 e 700 metros e verão quente e chuvoso — combinação que favorece a produção. Além disso, a longevidade dos pés de lichia permite manter pomares por décadas; as plantas podem produzir por períodos que vão de 30 a 300 anos, retirando a necessidade de renovação frequente.
Os agricultores da região têm investido na diversificação. Além da variedade Bengal, a mais comum, produtores de Itaí já cultivam outros sete tipos de lichia. A fruta sai do pomar não só in natura: é utilizada na elaboração de aguardente e mel de flor de lichia e também é comercializada congelada, desidratada e liofilizada, ampliando canais de venda e agregando valor à produção.
Com a combinação de clima, solo, variedade e mercados externos interessados, o sudoeste paulista projeta crescimento na área plantada e um incremento nas exportações nas próximas safras, aproveitando a janela de demanda europeia no fim de ano.
