Sequestro de Maduro: Brasil fala em afronta gravíssima na OEA abriu o pronunciamento do embaixador Benoni Belli, que, em sessão extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), condenou a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela e a remoção forçada do presidente Nicolás Maduro.
Sequestro de Maduro: Brasil fala em afronta gravíssima na OEA
Belli afirmou que os ataques aéreos em solo venezuelano e a detenção de Maduro “ultrapassam uma linha inaceitável” e representam uma ameaça direta à soberania do país vizinho e à segurança regional. “Esses atos evocam tempos que julgávamos superados na América Latina e no Caribe”, declarou o diplomata, enfatizando que a comunidade internacional não pode aceitar que “a lei do mais forte” se sobreponha ao multilateralismo.
Segundo ele, legitimar agressões militares significaria outorgar aos mais poderosos o direito de decidir o que é justo ou injusto, ignorando as decisões dos povos sobre seu próprio destino. “A autodeterminação deve estar ancorada no direito internacional e nas instituições multilaterais”, completou.
Críticas também na ONU
Em reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, realizada um dia antes, o embaixador brasileiro Sérgio Danese reforçou a mesma linha de argumentação, rechaçando a ideia de que “os fins justificam os meios”. Para Danese, aceitar tal lógica abriria um perigoso precedente para intervenções unilaterais.
Entenda a operação norte-americana
No último sábado (3 de janeiro), militares dos Estados Unidos entraram em Caracas, retiraram Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, e os levaram para Nova York. A ação, que deixou mortos entre membros das forças de segurança venezuelanas e provocou explosões na capital, foi seguida por uma audiência de custódia no Tribunal Federal norte-americano, onde Maduro negou envolvimento com narcotráfico. O casal permanece detido em um presídio federal no Brooklyn.
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Conforme detalhado pela BBC, o governo dos EUA sustenta que o ex-chefe de Estado será processado por suposta ligação com o tráfico internacional de drogas. Já Maduro se declarou “prisioneiro de guerra” e “homem decente”.
Reações na região
Governos da América Latina divergiram sobre a intervenção. Enquanto aliados de Washington defenderam a operação como “necessária”, outros países, incluindo o Brasil, apontaram violação da Carta da OEA e da Carta das Nações Unidas. Belli concluiu sua intervenção pedindo “uma resposta firme” do bloco para restaurar o respeito às normas internacionais.
O episódio recoloca em debate o papel dos organismos multilaterais na prevenção de ações unilaterais e reforça a centralidade do direito internacional em disputas de soberania.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
