Três senadores democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, cobrando um posicionamento claro sobre as eleições brasileiras que acontecem neste domingo (4). A correspondência foi enviada na segunda-feira (28) e divulgada na terça-feira (29).
Na carta, os parlamentares — Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch — solicitaram que o governo de Donald Trump se comprometa a reconhecer o resultado oficial certificado das urnas, independentemente de quem for eleito. Eles também questionaram como o Departamento de Estado pretende atuar para proteger o processo eleitoral no Brasil e como os Estados Unidos vão cooperar com países da região para acompanhar eleições e processos judiciais.
O governo (dos EUA) se comprometerá a reconhecer o resultado certificado das eleições democráticas de 2026 no Brasil e a apoiar relações diplomáticas normais com qualquer candidato que seja livre e justamente escolhido pelo povo brasileiro?
— Senadores Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch
No texto, os senadores expressaram preocupação com uma sequência de ações do governo Trump que, segundo eles, podem ser interpretadas como interferência nos assuntos internos do Brasil. Eles afirmaram que, ao longo do segundo mandato do presidente americano, observaram autoridades dos EUA envolvidas em medidas que, na avaliação dos parlamentares, podem afetar a estabilidade política e institucional brasileira.
Ao longo do segundo mandato do Presidente Trump, observamos autoridades dos EUA envolvidas em uma campanha de interferência e desestabilização no Brasil
— Senadores Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch
Entre os episódios citados na carta está a nomeação de Darren Beattie como assessor sênior do Departamento de Estado para assuntos relacionados ao Brasil. Os senadores dizem que a escolha gerou preocupação por causa de posições públicas de Beattie sobre o governo e as instituições brasileiras. Na avaliação dos parlamentares, ele é um político de direita e forte crítico do governo Lula (PT).
Os democratas também mencionaram a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros, impostas após uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos. Segundo a carta, a apuração teria sido “iniciada por determinação de Trump”, em meio a críticas do presidente americano a decisões de autoridades brasileiras. Para os senadores, essas medidas se somam a outras ações diplomáticas, econômicas e políticas que podem afetar a confiança no processo eleitoral e nas relações entre os dois países.
Como o Departamento coordena seus objetivos de democracia e direitos humanos com parceiros regionais no Hemisfério Ocidental, particularmente no que diz respeito à assistência técnica ou ao monitoramento de processos eleitorais e judiciais?
— Senadores Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch
Os parlamentares também lembraram a comparação com a eleição presidencial brasileira de 2022, quando, segundo eles, o governo dos EUA reconheceu rapidamente a vitória do candidato eleito após a divulgação do resultado. Na carta, os senadores mencionaram ainda a reação americana aos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do então ex-presidente invadiram sedes dos Três Poderes em Brasília, e apontaram que, naquele momento, os Estados Unidos demonstraram apoio ao governo eleito e às instituições democráticas brasileiras.
Após os ataques de 8 de janeiro de 2023 às instituições democráticas brasileiras, os Estados Unidos apoiaram firmemente o governo recém-eleito do Brasil e tiveram papel importante na mobilização de apoio na região aos esforços brasileiros para defender a Constituição de 1988 e as instituições democráticas estabelecidas por ela
— Senadores Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch
Na carta, os senadores pedem respostas claras do Departamento de Estado sobre o reconhecimento do resultado certificado e sobre a manutenção de relações diplomáticas normais com o candidato que for escolhido de maneira livre e justa pelos eleitores brasileiros.
