Após a conquista na Suécia, os campeões foram agraciados com prêmios que iam de automóveis e relógios a casas – e até um frango. Pelé recebeu uma Romi-Isetta e a entregou ao pai por ainda não ser maior de idade.
Após a conquista da Copa do Mundo na Suécia, em 1958, os jogadores brasileiros foram agraciados com uma série de prêmios e homenagens ao retornarem ao país. Na sua autobiografia, escrita em 2006, Pelé conta que participou de uma recepção em Bauru (SP) e recebeu uma Romi-Isetta, um microcarro. Como só faria 18 anos em 23 de outubro de 1958 e não tinha carteira de motorista, Pelé entregou o veículo ao pai, Dondinho, com a condição de voltar a Bauru para buscá-lo quando atingisse a maioridade.
Na capital paulista, os campeões tiveram audiências com o então governador Jânio Quadros. De acordo com a revista Manchete, o futuro presidente da República fez um gesto inusitado com o goleiro Gylmar dos Santos Neves: presenteou-o com um frango assado, que teria sido preparado pelo próprio governador com a justificativa de que o jogador devia estar com fome. O goleiro Gylmar foi destaque na Suécia com apenas quatro gols sofridos em seis partidas.
“Há muito tempo que Gylmar não engole um frango e deve estar com fome”.
Os prêmios recebidos pelos atletas variaram entre veículos e bens materiais. O atacante Vavá ganhou um jipe. Outros jogadores receberam relógios de ouro, ações da Petrobras e de uma fábrica de bicicletas, crediários para roupas até o fim da vida, direito a gasolina gratuita, televisores e quantias em dinheiro.
Garrincha também foi lembrado: a Companhia América Fabril, onde trabalhou na juventude, ofereceu ao jogador uma casa localizada na rua Demócrito Seabra, número sete, em Paul Grande, no Rio de Janeiro. O Diário Carioca registrou que o ministro da Guerra, Henrique Teixeira Lott, fez uma visita à cidade natal de Garrincha para cumprimentar o pai do jogador, Amaro Francisco dos Santos.
Além dos presentes individuais, houve ainda uma doação coletiva. O Jockey Club Brasileiro, presidido por Mário Azevedo Ribeiro, doou 500 mil cruzeiros para que o valor fosse repartido igualmente entre os campeões. Essas recompensas ilustram a recepção calorosa que os jogadores tiveram no país depois do título mundial de 1958, com gestos que iam de veículos e ações a presentes simbólicos e atenção oficial.
