Saída dos EUA da Convenção do Clima é “gol contra”, alerta ONU A decisão do governo Donald Trump de retirar os Estados Unidos da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e de outros 65 organismos internacionais deve afetar o mundo inteiro, mas trará prejuízos ainda maiores à própria população norte-americana, segundo avaliou o secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell.
Decisão abrange 66 organismos e inclui Fundo Verde do Clima
Anunciada em 8 de janeiro de 2026, a saída dos EUA engloba também o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e o Fundo Verde do Clima (GCF), principal mecanismo global de financiamento de ações climáticas. Para Stiell, a medida representa “um gol contra colossal” que enfraquece a liderança global do país e agrava riscos econômicos internos.
Impactos previstos na economia norte-americana
O dirigente afirmou que a ausência dos EUA no sistema multilateral pode encarecer energia, alimentos, transporte e seguros. Ele ressaltou que fontes renováveis já apresentam custos menores que os combustíveis fósseis e que desastres climáticos — como incêndios florestais e inundações — tendem a pressionar cultivos, infraestrutura e empresas norte-americanas com mais intensidade a cada ano.
Reação de especialistas e ONGs
Para o Instituto Talanoa, organização brasileira dedicada ao debate climático, a decisão abre um capítulo de choque político que pode reduzir o financiamento internacional para o clima. A presidente da entidade, Natalie Unterstell, alertou que o sistema multilateral permanece ativo, mas depende de uma resposta coletiva rápida para evitar retrocessos.
Justificativa oficial menciona “energia acessível”
Ao justificar a retirada do GCF, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, classificou o fundo como “organização radical” e reforçou o compromisso do governo com “todas as fontes de energia acessíveis e confiáveis”. A continuidade da participação no GCF, segundo ele, seria incompatível com as prioridades econômicas de Washington.
Contexto global e próximos passos
A UNFCCC organiza anualmente a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP). A edição mais recente, a COP30, ocorreu em novembro de 2025, em Belém. Enquanto os demais signatários mantêm o Acordo de Paris, analistas apontam que o vazio deixado pelos EUA pode ser ocupado por novas lideranças dispostas a ampliar ambição e financiamento climáticos. O futuro da governança ambiental dependerá, portanto, de como outros países reagirão a essa mudança.
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Crédito da imagem: Ralf Vetterle/Pixabay
Fonte: Agência Brasil
