Resistência do Irã pressiona EUA a repensar ofensiva no Golfo. A potência de reação militar e econômica iraniana, aliada à interrupção de rotas do petróleo no Golfo Pérsico, tem elevado a pressão sobre Washington para encerrar o conflito sem lograr a desejada mudança de regime em Teerã, segundo analistas ouvidos pela Agência Brasil.
Capacidade de defesa iraniana desestabiliza estratégia norte-americana
O cientista político Ali Ramos avalia que o Irã conseguiu comprometer parte do sistema de radares dos Estados Unidos no Oriente Médio, reduzindo a eficácia de interceptação de mísseis em países como Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos. Imagens de satélite e vídeos analisados pelo The New York Times indicam perdas relevantes em equipamentos de monitoramento, o que eleva o risco de baixas e encurta o tempo de alerta em Israel.
Segundo Ramos, “os EUA caíram em um atoleiro, pois a geografia iraniana inviabiliza uma ofensiva terrestre rápida e qualquer ação ampliaria as baixas norte-americanas”.
Impacto no mercado de petróleo acentua pressão internacional
Além da frente militar, Teerã bloqueou trechos cruciais do Estreito de Ormuz e do Golfo de Omã, gerando instabilidade na cadeia energética global. O professor Alexandre Pires, do Ibmec São Paulo, lembra que o encarecimento do barril levou o presidente Donald Trump a flexibilizar sanções impostas à Rússia para tentar conter a escalada de preços nos postos norte-americanos.
Pires observa que o desgaste econômico alimenta a pressão doméstica contra a continuidade dos combates. “Mesmo com previsões de conflito curto, o cenário prolonga-se e impõe custos políticos a Washington”, diz.
Aliados no Golfo sinalizam apoio a negociações
O Catar, representado pelo porta-voz Majed al-Ansari, defendeu em comunicado à Al Jazeera a retomada imediata do diálogo para preservar a paz regional e a estabilidade econômica mundial. Para Ramos, esse posicionamento reflete a percepção de que a presença militar norte-americana deixou de garantir segurança plena aos parceiros do Golfo.
Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Israel mantém postura cautelosa, mas admite limite
Embora Israel deseje prolongar a campanha para enfraquecer o Irã, o ministro das Relações Exteriores Gideon Saar afirmou em entrevista datada de 10 de março de 2026 que o país “não busca uma guerra sem fim” e que consultará Washington no momento oportuno para discutir uma solução.
Cenário interno iraniano frustra objetivos de mudança de regime
De acordo com Pires, a expectativa norte-americana de promover rápida substituição do líder supremo fracassou. “Teerã indicou um sucessor alinhado a Ali Khamenei sem negociar com potências externas, sinalizando continuidade”, analisa o professor.
Para Ramos, a sobrevivência do governo após ataques simultâneos a bases norte-americanas configurará derrota simbólica à Casa Branca e pode redefinir acordos de segurança regionais, como já sugerem tratativas de Emirados Árabes Unidos com a Índia e da Arábia Saudita com o Paquistão.
Em entrevista à Fox News, também em 10 de março, Donald Trump admitiu descontentamento com o novo líder iraniano, mas considerou “possível” sentar-se à mesa de negociações.
O impasse militar, o risco de colapso energético e as pressões de aliados indicam que o eixo da disputa se volta, agora, para a diplomacia.
Para aprofundar-se em mais análises sobre conflitos internacionais, visite a editoria Internacional e continue acompanhando nossos desdobramentos.
Crédito da imagem: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
Fonte: Agência Brasil
