Tons terrosos, verdes e azuis e cerâmicas com aspecto artesanal trazem personalidade aos banheiros. A arquiteta Duda Senna diz que revestimentos combinados unem identidade, praticidade e conexão com a natureza.
Os banheiros não precisam mais ser inteiramente brancos ou beges para atravessar o tempo sem perder o interesse. Tons terrosos, verdes e azuis, cerâmicas com aparência artesanal e porcelanatos que imitam pedras são opções que vêm ganhando espaço na composição de espaços com personalidade. Mais do que seguir paletas de moda, a ideia é combinar materiais e cores que façam sentido para quem vai usar o ambiente.
A arquiteta Duda Senna aponta nas escolhas de revestimento uma forma de unir identidade, praticidade e conexão com a natureza. Para ela, o potencial decorativo dos revestimentos anda junto com exigências práticas do banheiro, como instalação, manutenção e facilidade de limpeza.
“Desde sempre fui apaixonada pelos pequenos formatos, tanto pelo estilo que só eles permitem quanto por elaborarem soluções bastante funcionais. Super concordo que estejam em alta não por uma manifestação momentânea, mas por terem reconquistado o seu lugar”
Os revestimentos de pequeno formato voltaram a aparecer nos projetos e permitem combinações de cores e desenhos que criam paginações diversas. Peças menores ampliam as possibilidades de desenho da parede e ajudam a dar singularidade visual ao ambiente, seja cobrindo a parede principal, seja mesclando com outros materiais.
Um exemplo aplicado pela profissional é o banheiro de dois irmãos, em que o revestimento de pequeno formato com aspecto artesanal, acabamento vitrificado e superfície irregular foi usado para recobrir a parede principal e dialogar com o azul da marcenaria. Ao lado, o ladrilho hidráulico aparece na metade inferior da parede, conferindo personalidade com seu efeito arredondado.
A inspiração na natureza aparece em cerâmicas artesanais, ladrilhos hidráulicos e porcelanatos que reproduzem aparência de pedras. “Trata-se de uma linguagem que foi consolidada nos últimos anos. Dentro de casa, as pessoas também querem vivenciar o aspecto autêntico dessas referências”, afirma a arquiteta. Texturas e nuances naturais ajudam a aproximar o ambiente da sensação de acolhimento.
O uso de porcelanato nas paredes e na bancada é outra aposta citada, assim como o porcelanato com aparência de pedra que reveste parede da bancada e interior do box; o terracota surge como recurso de cor e a madeira contribui para criar atmosfera mais acolhedora. No box, o maximalismo de desenhos geométricos é apontado como caminho para quem busca impacto visual.
“Superfícies muito texturizadas podem demandar mais cuidado na limpeza”
A arquiteta também lembra que é preciso atenção aos acabamentos: peças muito texturizadas podem exigir mais manutenção. Na escolha das cores, ela recomenda considerar a identificação de quem vai usar o banheiro, em vez de seguir apenas tendências. “Não vejo como uma questão de modismo, mas sim pela longevidade que acrescentam”, completa.
Duda Senna é arquiteta e urbanista pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e lidera o escritório que leva seu nome, em São Paulo, desde 2014. Com portfólio reconhecido pelo uso de cores e texturas, a profissional mistura influências cariocas ao trabalho e compartilha rotinas de obra e experiência em redes sociais, além de ter sido co-criadora do curso Vemos Cores em Você.



