Renan Santos chega às eleições de 2026 como candidato à Presidência da República sem nunca ter ocupado um cargo eletivo. Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), organização que ganhou projeção nacional durante as manifestações a partir de 2013, ele passou mais de uma década atuando principalmente nos bastidores da política até liderar a criação do partido Missão, legenda pela qual disputa o Palácio do Planalto.
Nascido em São Paulo, em 14 de fevereiro de 1984, Renan Antônio Ferreira dos Santos cresceu no bairro da Mooca. Ingressou no curso de Direito da Universidade de São Paulo (USP), mas não concluiu a graduação e deixou a faculdade para trabalhar com o pai em atividades empresariais. Foi durante os anos de universidade que começou a se envolver mais diretamente com política, com projeção nacional na sequência das manifestações de 2013 e da crise política que culminou no processo de impeachment de 2016.
Renan esteve entre os fundadores do Movimento Brasil Livre, criado em 2014. No MBL, atuou como estrategista e articulador, participando da formulação política e da formação de lideranças. O movimento foi um dos grupos responsáveis pela organização das manifestações favoráveis ao impeachment de Dilma Rousseff e se posicionou a favor da Operação Lava Jato. Enquanto alguns integrantes do MBL migraram para campanhas eleitorais, Renan manteve-se na estrutura de comando e influência fora dos cargos públicos.
A ascensão de Jair Bolsonaro provocou nova reorganização na direita brasileira. Durante a eleição de 2018, integrantes do MBL apoiaram Bolsonaro no segundo turno, apesar de divergências existentes. A relação se deteriorou após a posse, quando o MBL passou à oposição e defendeu o impeachment do então presidente. Desde então, Renan e outras lideranças do movimento passaram a apresentar tanto o PT quanto o bolsonarismo como adversários e a trabalhar na construção de uma alternativa própria, estratégia que permanece no centro da candidatura de 2026.
Principais propostas
- Segurança pública: defesa da construção de superpresídios e de políticas mais rígidas contra organizações criminosas, citando referências internacionais adotadas por outros governos.
- Economia: ajuste fiscal rigoroso, redução e reorganização da estrutura estatal e aproximação com empresários e setor financeiro.
Dados da campanha
- Partido: Missão, com registro aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral em novembro de 2025.
- Presidência do partido: Renan tornou-se o primeiro presidente nacional da legenda.
- Vice na chapa: Aroldo Medina, tenente-coronel da reserva da Brigada Militar do Rio Grande do Sul e jornalista.
- Apoio: em agosto, recebeu o apoio de José Olympio Pereira, ex-presidente do Banco J. Safra e ex-CEO do Credit Suisse no Brasil.
- Arrecadação: até agosto, a campanha havia arrecadado cerca de R$ 1,2 milhão por meio de vaquinha eleitoral, com mais de 20 mil doadores.
A candidatura aposta na capacidade de mobilização digital construída pelo MBL, utilizando cortes de vídeo, confrontos com adversários e linguagem voltada às redes sociais para ampliar visibilidade. A campanha também tem buscado interlocução com o mercado financeiro e reforçado a presença em debates sobre segurança e economia na tentativa de criar espaço próprio perante os principais concorrentes nas pesquisas.
