O Brasil alcançou um marco histórico no primeiro semestre de 2026, registrando o melhor desempenho nas exportações de carne bovina. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as vendas totalizaram US$ 9,929 bilhões entre janeiro e junho, um aumento expressivo de 33,4% em comparação ao mesmo período de 2025.
Em termos de volume, os embarques atingiram 1,811 milhão de toneladas, apresentando um crescimento de 7,3%, conforme informações da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafigo). Apesar desse resultado positivo, a entidade expressa preocupações para o segundo semestre, que promete ser mais desafiador.
Um dos principais fatores que geram essa preocupação é o esgotamento da cota de importação da China, o maior comprador da carne bovina brasileira. O limite anual de 1,106 milhão de toneladas já foi preenchido com os embarques realizados até junho, resultando na suspensão das vendas para o país a partir de julho. Vale destacar que exportações que excedem essa cota estão sujeitas a uma sobretaxa de 55%.
A China continua sendo o principal destino da carne bovina brasileira, com um crescimento de 50,3% nas vendas no primeiro semestre, alcançando US$ 4,818 bilhões. Em volume, as exportações para o país asiático subiram 22,6%, totalizando 774,7 mil toneladas.
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Considerando os dados, a China representou 48,5% das receitas totais de exportação. Quando se observa apenas a carne in natura, essa participação sobe para 53%. A Abrafrigo estima que, em 2026, o Brasil possa ver uma redução de cerca de US$ 4 bilhões nas vendas para a China, em comparação a 2025, que teve um total de US$ 8,845 bilhões. No entanto, a entidade acredita que parte dessa queda poderia ser compensada se as exportações forem retomadas no final do ano, com as cargas chegando à China apenas em janeiro de 2027, dentro da nova cota.
Outros mercados também estão se destacando nas importações de carne bovina brasileira. Os Estados Unidos, por exemplo, que são o segundo maior comprador, aumentaram as importações em 14,76% no primeiro semestre, totalizando US$ 1,465 bilhão. A carne in natura, especificamente, viu um crescimento de 41%, alcançando US$ 1,116 bilhão. A expectativa para o mercado norte-americano é positiva, já que a carne bovina não foi afetada pelas novas tarifas impostas aos produtos brasileiros, além da baixa produção interna e preços altos que favorecem as importações.
O Chile, terceiro maior destino da carne in natura, também ampliou suas compras em 33,12%, totalizando US$ 419,6 milhões, com um aumento de 20% no volume embarcado, que chegou a 70,3 mil toneladas. Em contrapartida, a União Europeia, que cresceu 35,26% no primeiro semestre, podendo suspender as importações a partir de setembro, requer que o Brasil comprove a não utilização de antimicrobianos para crescimento dos animais, algo que ainda está em negociação.
Além disso, outros países como Rússia, Hong Kong, Arábia Saudita e Egito aumentaram suas importações de carne bovina brasileira. No entanto, o México registrou uma queda de 8,13% nas compras. A Abrafrigo aponta que 118 países aumentaram as compras de carne bovina brasileira no primeiro semestre, enquanto 55 reduziram as aquisições.
