O centenário relembra o papel histórico da comunidade judaica desde os séculos 16 e 17. Inaugurado em 20 de julho de 1926, o templo simboliza acolhimento e resistência diante do antissemitismo europeu.
A celebração do centenário da Synagoga Israelita do Recife (SIR) relembra a importância da cidade como um centro histórico de acolhimento à comunidade judaica, que remonta aos séculos 16 e 17. Inaugurada em 20 de julho de 1926, a SIR representa uma nova fase na história dos judeus em Recife, que anteriormente haviam encontrado abrigo na cidade durante perseguições na Península Ibérica.
Esta nova onda migratória, ocorrida no início do século 20, reflete as dificuldades enfrentadas pelos judeus na Europa Oriental, marcada pelo crescimento do antissemitismo. Desde 1910, imigrantes judeus já se organizavam na cidade, estabelecendo-se principalmente no bairro Boa Vista, que hoje abriga sobrados, comércio tradicional e edifícios variados.
Antes da fundação da sinagoga, as práticas religiosas eram realizadas nas residências dos membros da comunidade. No último domingo, 26, eventos comemorativos foram organizados para marcar a data. O escritor Jacques Ribemboim, autor do livro “História dos Judeus de Pernambuco”, fala sobre a renascença da vida judaica na cidade a partir de 1910, com a chegada de imigrantes asquenazes.
A SIR, em seus primórdios, era um schil, ou sinagoga em ídiche, predominantemente frequentada por judeus asquenazes. Com o tempo, essa distinção perdeu relevância, e hoje é uma sinagoga com uma significativa presença de bnei anussim, os descendentes de cristãos-novos que retornaram às suas práticas judaicas.
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A comunidade judaica se estabeleceu ao redor da Praça Maciel Pinheiro, criando um ambiente vibrante que também deu origem a instituições como o Colégio Israelita (1918) e o Clube Hebraico. Entre os membros de destaque da comunidade, estão figuras como a escritora Clarice Lispector e o físico Mário Schenberg.
No entanto, a partir dos anos 1990, muitas famílias começaram a se mudar para bairros distantes, resultando em uma queda significativa na frequência à sinagoga. A partir da década de 2000, a SIR passou a ser frequentada por judeus “retornados” e alguns judeus asquenazes da comunidade tradicional.
A sinagoga mais antiga do Recife, a Kahal Kadosh Tzur Israel, foi fundada entre 1636 e 1637 e permaneceu ativa até a expulsão dos holandeses em 1654. Esse local também foi um porto seguro para muitos judeus que fugiram da Inquisição. A Kahal Kadosh Tzur Israel foi reinaugurada em março de 2002 e se tornou um ponto turístico importante, atraindo visitantes que buscam conhecer a rica história judaica do estado.
O legado da comunidade judaica em Recife é profundo, refletindo não apenas momentos de adversidade, mas também um contínuo esforço de preservação cultural e religiosa ao longo dos séculos.
