A fumaça das queimadas elevou o MP2,5 em Manaus a 196,4 µg/m³, nível considerado grave pela Defesa Civil. O órgão recomenda uso de máscaras ao sair e evitar exposição à fumaça.
A fumaça das queimadas elevou a poluição do ar em Manaus a níveis considerados graves para a população, segundo monitoramento divulgado nesta sexta-feira, 9. A Defesa Civil emitiu um alerta aos moradores da capital amazonense, recomendando o uso de máscaras em saídas ao ar livre e orientando a evitar a exposição à fumaça.
O alerta da Defesa Civil indicou concentração média de 196,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de material particulado fino (MP2,5), poluente nocivo à saúde. Pela manhã de hoje, o monitor classificava a qualidade do ar como “muito ruim” na zona central de Manaus, enquanto outras cidades do estado — como Anori, Anamã, Tapauá e Beruri — registravam algumas das piores médias de qualidade do ar no país.
Com a piora da qualidade do ar, a prefeitura de Manaus suspendeu as atividades escolares da rede municipal. A medida afetou também centros de atendimento especializados, os Centros Municipais de Arte-Educação (Cmaes) e o Parque Cidade da Criança.
De caráter preventivo, a medida visa preservar a saúde, a segurança e o bem-estar dos estudantes, profissionais da educação e de toda a comunidade escolar
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) decidiram suspender as atividades presenciais. Em comunicado conjunto, as instituições explicaram que a medida tinha por objetivo proteger a saúde da comunidade universitária diante das condições do ar.
A medida considera a necessidade de preservar a saúde e o bem-estar da comunidade universitária diante das condições atuais
Para referência, concentrações acima de 125 µg/m³ já eram consideradas “péssimas” pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da UEA. O valor medido na sexta-feira superou esse patamar, elevando o risco de efeitos respiratórios e cardiovasculares, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Em setembro, o Amazonas registrou 3.726 focos de calor, quase quatro vezes o total do mesmo mês do ano anterior, quando houve 942 focos, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em outubro, até o momento, o estado já contabilizava 832 focos.
A falta de chuvas em agosto agravou a estiagem em Manaus, contribuindo para a secura da vegetação e dificultando o combate aos incêndios. O Inpe afirmou que queimadas para renovação de pastagens, combinadas com vegetação ressecada, favoreceram a propagação do fogo para áreas de floresta.
Em medidas anteriores, o governo do Amazonas havia declarado, em junho, estado de emergência climática e ambiental por 180 dias, com base em projeções relacionadas ao fenômeno El Niño. Em setembro, o estado proibiu o uso do fogo em todo o território por 120 dias.
Em entrevista à imprensa local na sexta-feira, o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, afirmou que o Estado ainda não havia recebido apoio do governo federal para o combate aos incêndios florestais.
