Prisão de militares indica maturidade da democracia, aponta historiador
Prisão de militares envolvidos na tentativa de golpe de Estado foi classificada como sinal de amadurecimento democrático pelo historiador Mateus Gamba Torres, da Universidade de Brasília (UnB), em entrevista concedida ao telejornal Repórter Brasil, da TV Brasil, na última quarta-feira (26 de novembro de 2025).
Marco inédito no período republicano
Segundo Torres, é a primeira vez, em mais de um século de República, que oficiais-generais — inclusive integrantes das Forças Armadas — passam a cumprir pena por participação direta em uma articulação golpista. Foram detidos os generais Augusto Heleno Pereira, Paulo Sergio Nogueira, Walter Braga Netto, o almirante Almir Garnier e o ex-presidente Jair Bolsonaro, capitão da reserva do Exército.
Perda de patentes no Superior Tribunal Militar
Além das condenações na Justiça comum, os militares devem responder a ações de perda do oficialato no Superior Tribunal Militar (STM). Para o professor, a possível cassação de patentes reforça a ideia de que “não existe nada mais indigno do que se colocar contra a nossa democracia”, ainda que haja histórico de corporativismo nas Forças Armadas.
Anistia não traria pacificação, avalia historiador
Questionado sobre propostas de anistia aos condenados, Torres lembrou que medidas semelhantes já foram aplicadas no Brasil, mas não resultaram em pacificação. Ele citou a Lei da Anistia de 1979, que beneficiou inclusive torturadores, como exemplo de “sujeira varrida para debaixo do tapete”. Na visão do pesquisador, o perdão político geraria impunidade e dificultaria a construção de uma memória histórica baseada em verdade e justiça.
Repercussão internacional
O docente avaliou ainda que a execução das penas contribui para fortalecer a imagem do Brasil no exterior. “A decisão judicial sinaliza que o país consolidou mecanismos institucionais capazes de proteger a ordem democrática, mesmo quatro décadas após a redemocratização”, afirmou.
Com as prisões e os possíveis julgamentos disciplinares, especialistas apontam para um novo capítulo na relação entre Estado de Direito e militares, cenário que será acompanhado de perto por juristas, pesquisadores e pela sociedade civil.
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Crédito da imagem: TV Brasil
Fonte: TV Brasil
