Pretinhos do Mangue reforça tradição e consciência ambiental no Pará
Pretinhos do Mangue, bloco ecológico que há 37 anos reúne foliões em Curuçá, no nordeste do Pará, voltou a ocupar as ruas com a temática “Do mangue e da maré, nasce a força da mulher”, celebrando o protagonismo feminino e a ligação histórica da comunidade com os manguezais.
Bloco completa 37 edições unindo festa e preservação
Nesta edição, a multidão novamente se cobriu de tijuco — a lama típica dos mangues — transformando o corpo em símbolo de resistência cultural e ambiental. O cortejo, embalado por carimbó, destacou mensagens de conservação dos ecossistemas costeiros, essenciais à subsistência de milhares de famílias ribeirinhas.
A abertura contou com a participação do governador do Pará, Helder Barbalho, que ressaltou a importância do evento para o calendário cultural estadual: “Pretinhos do Mangue faz parte da história do Pará e representa a relação direta da cidade com o mangue”, afirmou o chefe do Executivo, também coberto de lama para entrar no clima da manifestação.
Origem: protesto contra a escassez de caranguejos
O bloco surgiu quando moradores perceberam a diminuição dos caranguejos nos manguezais locais. Para chamar atenção das autoridades, desfilaram cobertos de lama, criando uma tradição que une crítica socioambiental e folia. Desde então, Pretinhos do Mangue tornou-se atração turística, movimentando a economia local e reforçando o sentimento de pertencimento.
Para o pescador Manoel Carlos da Silva, um dos fundadores, ver o evento crescer é motivo de orgulho: “Jamais imaginei que o nosso mangue ganharia tamanha projeção. É gratificante ver moradores e visitantes juntos nesse momento”.
Impacto cultural e econômico
Além de impulsionar hotéis, restaurantes e transporte, o bloco fortalece a identidade paraense. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, manguezais abrigam valiosa biodiversidade e funcionam como barreiras naturais contra a erosão costeira. O desfile, portanto, serve como plataforma para difundir conhecimento sobre esse bioma e estimular práticas sustentáveis entre moradores e turistas.
O universitário Eduardo Tenório, que participa do cortejo desde criança, destaca a dimensão social: “A festa traz renda a ambulantes e artesãos, tudo enquanto valorizamos a nossa cultura”.
Tijico: fantasia que vira manifesto
A lama aplicada sobre a pele simboliza o elo indissociável entre o povo curuçaense e o mangue. Ao mesmo tempo em que diverte, a prática instiga reflexões sobre equilíbrio ambiental, lembrando que a abundância de recursos depende de manejo responsável.
Com mais de três décadas de história, Pretinhos do Mangue consolida-se como exemplo de como o Carnaval pode extrapolar diversão e assumir papel educativo, reforçando que a preservação dos manguezais é essencial para a economia pesqueira e o patrimônio cultural amazônico.
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Crédito da imagem: Alex Ribeiro / Ag. Pará
Fonte: Conexão In
