Presidente do Rioprevidência é exonerado após ação do MP em ato publicado em 13 de abril no Diário Oficial do Rio de Janeiro, que nomeou o procurador Felipe Derbli de Carvalho Baptista para comandar o fundo de previdência dos servidores estaduais.
Presidente do Rioprevidência é exonerado após ação do MP
O governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, assinou a exoneração de Nicholas Cardoso e, na mesma edição extraordinária do Diário Oficial, confirmou Felipe Derbli de Carvalho Baptista como novo presidente do Fundo Único de Previdência do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência). Cardoso ocupava o cargo de forma interina.
Ação do Ministério Público e rombo de R$ 1,088 bilhão
A mudança ocorre poucos dias depois de o Ministério Público do Rio de Janeiro ingressar com ação civil pública que pede o bloqueio de bens e a responsabilização de dirigentes do Rioprevidência pela compra de títulos do Banco Master, operação que, segundo o MP, gerou prejuízo de R$ 1,088 bilhão aos cofres do fundo. O órgão solicitou também a suspensão de contratos ligados ao CredCesta e o afastamento imediato do então presidente da autarquia.
Em nota, o Rioprevidência afirmou que suas aplicações concentram-se em investimentos de renda fixa e que R$ 100 milhões estavam alocados em títulos públicos, classificados como de baixo risco. O posicionamento, no entanto, não afastou a pressão por mudanças na administração.
Perfil do novo presidente
Felipe Derbli de Carvalho Baptista atua como procurador do estado desde 2000 e possui vasta experiência em direito público. Entre 2007 e 2010, foi diretor jurídico do próprio Rioprevidência; antes disso, exerceu a função de subsecretário de Administração e Reestruturação (2003-2004). Doutor e mestre pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Baptista já atuou como assessor no Supremo Tribunal Federal e leciona na Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro e na Escola Superior de Advocacia Pública da Procuradoria-Geral fluminense.
Para o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, a escolha de um gestor com sólida formação jurídica pode acelerar a adoção de mecanismos internos de controle e transparência, considerados essenciais diante das apurações em curso.
Desafios imediatos da nova gestão
Com o déficit bilionário sob investigação, o novo presidente terá de articular medidas para garantir liquidez, preservar o pagamento de aposentadorias e restabelecer a confiança dos mais de 170 mil segurados. A prioridade, segundo fontes do Palácio Guanabara, será revisar a carteira de investimentos e colaborar diretamente com o Ministério Público e órgãos de controle.
Especialistas avaliam que a reestruturação administrativa deve incluir a renegociação de contratos e a adoção de critérios mais rigorosos de governança. A expectativa é de que um plano emergencial seja apresentado nas próximas semanas, detalhando como o fundo pretende mitigar as perdas contabilizadas.
Em síntese, a exoneração de Nicholas Cardoso e a nomeação de Felipe Baptista marcam o início de uma fase de ajustes profundos no Rioprevidência. A efetividade das mudanças dependerá da capacidade de a nova direção implementar práticas de gestão que assegurem sustentabilidade financeira e transparência.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
