Prefeito de Macapá Dr. Furlan (PSD) encaminhou à Câmara Municipal, na quinta-feira (5 de março), o ofício em que renuncia ao mandato poucos dias depois de ter sido afastado por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Renúncia ocorre em meio a investigação por fraude
No documento, Furlan agradece “ao povo macapaense pela confiança” e justifica a saída para concorrer ao Governo do Amapá nas eleições de 2026, conforme exigência constitucional. O afastamento de Furlan e do vice-prefeito, Mario Neto, havia sido decretado na véspera, sob o argumento de que a permanência de ambos poderia comprometer as apurações conduzidas pela Polícia Federal (PF).
Com a dupla afastada, o presidente da Câmara, Pedro dos Santos Martins, conhecido como Pedro DaLua (União Brasil), assumiu interinamente a prefeitura. A vereadora Margleide Alfaia (PDT) passou a presidir o Legislativo municipal.
Operação Paroxismo investiga desvio de recursos federais
A PF apura suposto esquema de direcionamento de licitação, desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro na construção do Hospital Geral Municipal, obra orçada em R$ 70 milhões e contratada junto à empresa Santa Rita Engenharia Ltda. Segundo relatório policial, a proposta vencedora reproduzia quase integralmente o orçamento interno elaborado pela própria prefeitura, indício de que a companhia teria tido acesso prévio aos critérios de seleção.
Após a assinatura do contrato, os sócios Rodrigo Moreira e Fabrizio Gonçalves efetuaram 59 saques em espécie que somaram R$ 9,8 milhões. As retiradas ocorreram imediatamente após repasses feitos pelo município à empresa e, de acordo com os investigadores, não retornaram ao sistema bancário nem foram usadas no canteiro de obras.
Há indícios de que parte do montante foi transportada em veículos de propriedade de Furlan, além de transferências para contas ligadas à ex-esposa e à atual companheira do prefeito. Para o ministro Flávio Dino, tais circunstâncias justificam o afastamento, pois os investigados teriam acesso a sistemas administrativos capazes de “suprimir, manipular ou ocultar provas”. Declarações oficiais sobre a medida podem ser conferidas no site do Supremo Tribunal Federal.
Mesmo renunciando, Furlan e o ex-vice seguem proibidos de acessar órgãos municipais relacionados a contratos e licitações até que as investigações sejam concluídas.
No cenário político local, a posse interina de Pedro DaLua abre a disputa pela sucessão definitiva, enquanto os partidos articulam coligações para a corrida ao Palácio do Setentrião.
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Crédito da imagem: Rogério Lameira/Prefeitura de Macapá
Fonte: Agência Brasil
