Policial militar foi liberado após o disparo que matou Camila Pereira, 32, durante abordagem em Pirituba. O ex-companheiro afirmou que ela tinha uma faca; a PM diz que ela avançou contra os agentes.
A Justiça concedeu liberdade provisória ao policial militar investigado pela morte de Camila Pereira da Silva, de 32 anos, durante uma abordagem em Pirituba, na zona noroeste de São Paulo. Camila foi atingida por um disparo no peito na quinta-feira (15).
Segundo o registro policial, a ocorrência teve início depois que o ex-companheiro de Camila procurou ajuda e relatou que ela estaria com uma faca e o perseguindo. Policiais militares foram ao local para atender à situação.
Na versão apresentada pelos agentes, Camila teria avançado na direção da equipe mesmo após ordens para interromper a aproximação e soltar a faca. O episódio levou a uma troca de versões sobre os momentos que antecederam o disparo.
O policial que efetuou o disparo afirmou que recuava quando acabou encurralado por um caminhão, situação que, segundo seu relato, limitou a possibilidade de afastamento.
Por outro lado, a avaliação inicial da autoridade policial levantou dúvidas sobre a necessidade e a proporcionalidade do uso da arma de fogo. Ao analisar imagens da ocorrência, o delegado apontou que Camila estaria a alguns metros dos policiais no momento do tiro e que não seria possível identificar um movimento de ataque naquele instante.
O delegado também destacou que havia outros agentes armados na ocorrência e questionou a ausência de tentativas de contenção com meios menos letais. Diante desses elementos, a autoridade policial não reconheceu, naquele primeiro momento, a legítima defesa como justificativa para o disparo e determinou a prisão em flagrante do policial militar por homicídio.
A análise registrada no boletim é preliminar e não representa uma decisão definitiva sobre a responsabilidade criminal do policial. A investigação deverá esclarecer a dinâmica do confronto e as circunstâncias em que o tiro foi disparado.
Uma tia afirmou desconhecer se ela tinha diagnóstico psiquiátrico.
Familiares ouvidos pela polícia relataram que Camila enfrentava problemas graves de saúde e aguardava um transplante de fígado. A mulher deixou duas filhas pequenas.
A concessão da liberdade provisória não encerra a investigação nem equivale a uma absolvição. As condições eventualmente impostas pela Justiça devem ser confirmadas na decisão judicial.
O caso segue sob apuração para que as circunstâncias do confronto sejam esclarecidas e para que a Justiça defina as medidas processuais cabíveis.
