A PF diz que Daniel Vorcaro, do Banco Master, foi informado antes da operação que o prendeu em novembro de 2025. Relator no STF liberou documentos que citam juiz, vara e outros envolvidos.
A Polícia Federal relatou ter reunido indícios de que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, soube antecipadamente da investigação sigilosa antes da operação que levou à sua prisão, em novembro de 2025. A informação consta em documentos cujo sigilo foi retirado pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
“Já foram consolidados indícios veementes de que o investigado, Daniel Bueno Vorcaro, soube de maneira antecipada e antes da deflagração não apenas o fato de existir investigação criminal em curso, mas também a vara, o nome do juiz que conduzia o feito, bem como o nome de diversos membros da equipe de investigação.”
A declaração foi prestada pela delegada responsável pelo caso e está registrada em pedido de prorrogação do inquérito apresentado pela PF em novembro de 2025. Segundo a corporação, Vorcaro teria conhecimento não apenas da existência do inquérito, mas também de detalhes sobre quem conduzia a apuração.
“Além da gravidade da situação descrita anteriormente, que corrobora a intenção de fugir do principal investigado nos autos.”
Esse trecho também consta do documento em que a delegada registra a possibilidade de que o acesso antecipado às informações reforçasse a suspeita de que Vorcaro pretendia deixar o país. Um relatório posterior, elaborado a partir do conteúdo extraído do celular do empresário, trouxe novo elemento à investigação: indícios de que Vorcaro sabia das medidas cautelares que seriam aplicadas em 18 de novembro de 2025, data da primeira fase da Operação Compliance Zero.
Na véspera da operação, o advogado Walfrido Warde compartilhou com Vorcaro uma captura de tela de conversa com um contato identificado como “Ricardo Leite”. A PF apontou que as mensagens permitiam indicar que o interlocutor seria, provavelmente, o juiz responsável pelas medidas cautelares previstas para o dia seguinte.
Ricardo Augusto Soares Leite era juiz federal substituto da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, responsável por procedimentos sigilosos ligados à investigação, e decisões assinadas por ele aparecem em documentos do processo.
Vorcaro foi preso na noite de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. No dia seguinte, a PF deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investigava suspeitas de fraudes em operações financeiras envolvendo o Banco Master e o BRB.
Os documentos sobre o caso Master vieram a público após decisão de retirar o sigilo das investigações. O relator atendeu ao despacho e liberou os autos, além de determinar o envio de cópia integral à Presidência do Supremo e aos demais ministros antes do julgamento marcado para 15 de setembro.
Também foram registradas decisões administrativas e contestadas medidas em consequência das investigações: o relator chegou a afastar o diretor-geral da Polícia Federal e o diretor de Inteligência; uma outra autoridade determinou o retorno dos afastados; e, posteriormente, houve suspensão das duas decisões e concentração da análise dos processos na Presidência do Supremo, com convocação dos 11 ministros para discutir o caso em plenário no dia 15.
