Operação Compliance Zero revelou que dois parlamentares piauienses quitaram contas pessoais do senador. Coaf identificou movimentações suspeitas ligadas a fraudes no Banco Master.
A Polícia Federal (PF) investiga a relação entre os deputados federais Julio Arcoverde e Átila Lira, ambos do Partido Progressista (PP) do Piauí, e o senador Ciro Nogueira, presidente nacional da legenda. Segundo informações apuradas, os parlamentares pagaram faturas do cartão de crédito de Nogueira, o que levantou suspeitas sobre a natureza dessas transações.
Os dados sobre essas movimentações financeiras foram revelados nos relatórios da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes associadas ao Banco Master. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) contribuiu para a investigação ao enviar um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) que detalha as movimentações bancárias do grupo. O foco da apuração é se Ciro Nogueira recebeu vantagens ilegais para atuar em defesa dos interesses financeiros do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A PF suspeita que a utilização de aliados políticos e ex-assessores para cobrir despesas pessoais de Nogueira tenha como objetivo ocultar a origem dos recursos financeiros e preservar a imagem do senador. Vale ressaltar que, até o presente momento, os deputados não foram oficialmente incluídos como investigados no processo.
Segundo o Coaf, Julio Arcoverde pagou um boleto de mais de R$ 13 mil no dia 19 de junho de 2024. O relatório também destaca que o deputado e o senador têm laços comerciais antigos, sendo sócios de uma empresa em Teresina entre 2003 e 2011.
Além disso, o relatório menciona que o filho de Arcoverde exerce a função de assessor no gabinete de Ciro Nogueira, recebendo um salário próximo a R$ 13 mil. Já Átila Lira realizou o pagamento de outra fatura do senador duas semanas antes, no dia 4 de junho de 2024, totalizando mais de R$ 3 mil.
A equipe jurídica de Ciro Nogueira optou por não comentar os vazamentos relacionados à investigação neste momento. Entretanto, os advogados afirmaram que apresentarão justificativas técnicas no momento apropriado para contestar as alegações feitas pela PF. Até agora, tanto Julio Arcoverde quanto Átila Lira não se manifestaram sobre as acusações.
