A 9ª fase da Operação Compliance Zero mira o líder do governo Lula no Senado. Segundo a PF, valores teriam sido repassados via empresa ligada à nora do parlamentar.
A deflagração da 9ª fase da Operação Compliance Zero, realizada na quinta-feira (18), trouxe à tona informações sobre supostos repasses financeiros ilegais ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado.
A Polícia Federal aponta que o parlamentar teria recebido vantagens ilegais que somam aproximadamente R$ 3,5 milhões, através de uma empresa ligada à sua nora. Além disso, a investigação menciona a aquisição de um imóvel de alto valor na Bahia, com a ajuda de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, que também está sendo investigado na operação.
A transação suspeita envolve um apartamento localizado no Poème Horto, na unidade 1702, situada na área do Horto Florestal, um dos bairros mais nobres de Salvador. A Polícia Federal registrou a presença de seus agentes no local e confirmou a realização de buscas relacionadas ao caso.
De acordo com documentos obtidos pela PF, mensagens trocadas entre Jaques Wagner e Augusto Lima, datadas de novembro de 2024, indicam a negociação do imóvel, com o preço estipulado em R$ 2,45 milhões. No dia seguinte, um livro digital do empreendimento foi enviado, conforme a decisão do ministro André Mendonça, que autorizou a operação.
“A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi”, diz a mensagem encontrada.
Na mesma data, Augusto Lima teria feito uma chamada de voz com Valério Marega Júnior, identificado como operador financeiro vinculado a estruturas do Banco Master. Durante a ligação, foram discutidos detalhes sobre o corretor responsável pela venda do imóvel e a transação financeira.
A Polícia Federal realiza 18 mandados de busca e apreensão, que foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, abrangendo estados como Bahia, São Paulo e o Distrito Federal. Além disso, medidas cautelares, como a proibição de contato entre os investigados e a suspensão de passaporte, foram aplicadas. As investigações podem, em tese, caracterizar crimes como corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
A defesa de Augusto Lima se manifestou, afirmando que as ações da Polícia Federal eram desnecessárias, uma vez que ele estaria à disposição das autoridades há seis meses para esclarecer os fatos relacionados à apuração.
A Operação Compliance Zero investiga irregularidades ligadas ao Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. O caso ganhou notoriedade no final de 2025, após indícios de que o banco comercializava produtos financeiros sem as garantias adequadas, atraindo investidores com promessas de retornos elevados. Na primeira fase da operação, Vorcaro foi detido, e as perdas potenciais associadas ao esquema chegaram a ser estimadas em R$ 12 bilhões.
Desde então, a operação se expandiu para investigar práticas de lavagem de dinheiro e possíveis atos de corrupção, incluindo operações financeiras entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A Polícia Federal também ampliou o escopo das investigações para incluir pessoas próximas ao empresário e autoridades com possíveis ligações aos fatos em apuração.
