Uma nova pesquisa da Catho, plataforma online de empregos, mostra que o preconceito ainda é um fator determinante na relação entre profissionais LGBTQIAPN+ e o mercado de trabalho brasileiro. De acordo com os dados, 41% das pessoas dessa comunidade já deixaram de se candidatar a uma vaga por receio de sofrer discriminação durante os processos seletivos ou no ambiente corporativo.
O levantamento evidencia que a exclusão acontece antes mesmo da contratação. A pesquisa revela que 60% dos respondentes afirmam que sua identidade de gênero ou orientação sexual impactou negativamente sua trajetória profissional em algum momento. Em contrapartida, apenas 30% afirmam que essas características não interferiram em suas carreiras.
Além disso, os obstáculos continuam após a entrada no mercado de trabalho. Cerca de 36% das pessoas LGBTQIAPN+ percebem diferença salarial, menos oportunidades de crescimento ou tratamento desigual em comparação a colegas que não pertencem à comunidade. Somente 42% dos entrevistados afirmam se sentir totalmente seguros para assumir sua identidade ou orientação sexual no ambiente profissional.
“Quando profissionais deixam de participar de processos seletivos por medo de discriminação, o mercado perde talentos antes mesmo de conhecê-los. Os dados mostram que a inclusão ainda é um desafio e que muitas pessoas continuam adaptando comportamentos ou até mesmo escondendo identidades e limitando oportunidades profissionais para evitar situações de preconceito,” afirma Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, que é proprietária da Catho.
O estudo também revela que a percepção de acolhimento e pertencimento está diretamente ligada à cultura organizacional das empresas. Ambientes considerados seguros e inclusivos tendem a favorecer maior abertura, permanência e desenvolvimento profissional de pessoas LGBTQIAPN+, enquanto contextos hostis impactam negativamente a confiança e a progressão de carreira.
“Promover diversidade tem impacto na reputação e deve ser um compromisso contínuo com ambientes mais seguros, respeitosos e verdadeiramente inclusivos. As empresas têm papel fundamental na construção de espaços onde profissionais possam desenvolver suas carreiras sem medo de julgamentos, discriminação ou necessidade de esconder quem são,” finaliza Patricia.
