Três pesquisas inéditas da Fiesp mostram que criminalidade e insegurança reduzem renda das famílias e freiam investimentos, afetando cidadãos, indústria e presídios. Os resultados serão divulgados hoje no Congresso.
Três pesquisas inéditas encomendadas e conduzidas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) apontam que a criminalidade e a sensação de insegurança vão além das estatísticas de violência e afetam diretamente a economia brasileira. Os estudos serão apresentados HOJE, 31, durante o Congresso Fiesp de Segurança Pública, na sede da federação.
O pacote de levantamentos ouviu três grupos distintos para mapear o impacto do crime: cidadãos em todo o país, representantes da indústria de transformação paulista e a população carcerária da Região Metropolitana de São Paulo. Juntos, os resultados reforçam a premissa de que segurança não é custo, mas condição para prosperidade.
“Enfrentar o crime de forma decisiva é um desejo da sociedade, com reflexos na preservação de empregos, na atração de investimentos e no próprio futuro do desenvolvimento econômico do Brasil”, disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
A pesquisa Percepção Nacional de Segurança Pública ouviu mais de 2,4 mil pessoas em 658 municípios das 27 unidades da Federação e mostra como a insegurança drena recursos das famílias e altera decisões sobre trabalho e consumo. Entre os destaques estão: 84% dos brasileiros relatam que a insegurança tira dinheiro do orçamento familiar; 1 em cada 4 pessoas já deixou de aceitar uma oportunidade de trabalho por medo da violência; e 60% afirmam que suas atividades profissionais sofrem dificuldade devido à presença de facções, milícias ou crime organizado.
Mais da metade da população (51%) disse ter deixado de comprar algo por receio de golpes ligados ao mercado ilegal, e quase 4 em cada 10 relataram ter comprado produtos e depois desconfiado da procedência. Além disso, 86% reconhecem o impacto econômico do contrabando e da pirataria, indicando como prioridades o aumento da fiscalização (31%) e preços mais competitivos (25%).
O levantamento com 285 empresas da indústria de transformação paulista (3,2% micro, 67,0% pequenas, 25,3% médias e 4,6% grandes) evidenciou custos invisíveis para o setor. Quatro em cada 10 empresas foram vítimas de crime no último ano; crimes virtuais dobraram desde 2023 e já são o principal delito contra fábricas, atingindo quase 1 em cada 5 indústrias. Ainda, 1 em cada 4 empresas deixou de investir ou expandir por causa da violência; 98% contrataram segurança privada, seguros ou monitoramento; quase 1 em cada 5 vítimas teve perdas superiores a 1% do faturamento anual.
O estudo com cerca de 400 pessoas privadas de liberdade trouxe dados sobre trajetórias e percepções: apenas 6,2% disseram ter cometido crimes lucrativos por necessidade real; quase 7 em cada 10 relataram a presença de regras do crime em seu bairro; 46% indicaram o crime organizado cumprindo papel do Estado. Houve diferença entre a percepção da violência no município (57,6% avaliam como alta ou muito alta) e no próprio bairro (40,1% avaliam como baixa ou muito baixa).
Sobre justiça e reinserção, 62,5% dos entrevistados entendem que o sistema penal deve priorizar a reintegração social e mudança de comportamento, enquanto 20,9% defendem prioridade à punição e dissuasão. Ainda assim, 70,4% avaliam que o sistema prisional não cumpre plenamente essas funções.
O congresso de HOJE vai reunir autoridades públicas, especialistas e lideranças empresariais para debater soluções estratégicas contra o avanço do crime organizado e seus reflexos no desenvolvimento econômico do país.
