A Operação Narco Sky expôs uma aliança criminosa global: o sérvio Antum Mrdeza, procurado pela Interpol, bancava o PCC para escoar cocaína ao exterior. Mensagens criptografadas do Sky ECC comprovaram o esquema.
A Polícia Federal (PF) descobriu uma conexão direta entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e grandes traficantes internacionais durante a Operação Narco Sky, deflagrada no dia 2 de junho de 2026. A investigação apontou que o narcotraficante sérvio Antum Mrdeza, conhecido pelo codinome Nikolas Boro, estava financiando um núcleo da facção brasileira para exportar cocaína. Mrdeza figura na lista vermelha de capturas da Interpol.
Durante a operação, os investigadores interceptaram conversas realizadas por meio do aplicativo de mensagens criptografadas Sky ECC. Os diálogos revelaram que Mrdeza e seu comparsa Alejandro Salgado Vega, conhecido como El Tigre, negociavam grandes carregamentos de droga diretamente com o brasileiro Marco Aurélio de Souza, apelidado de Lelinho. A polícia espanhola já havia apreendido 2 toneladas de cocaína enviadas pelo grupo para a cidade de Aldea de San Nicolás.
O brasileiro Lelinho comandava o braço marítimo do cartel e atuava na Baixada Santista desde 2020. Ele utilizava uma empresa de comércio exterior registrada em nome de um testa de ferro para encobrir a movimentação ilícita nos portos. O esquema funcionava em duas etapas: lanchas rápidas transportavam os tabletes de droga até veleiros de alto-mar, que eram responsáveis pela travessia do Oceano Atlântico.
A PF já havia prendido Lelinho no ano anterior, durante a Operação Narco Vela. A análise dos celulares apreendidos naquela ocasião revelou que o brasileiro não era um operador menor, mas sim um parceiro comercial dos traficantes europeus. Em uma das ações mapeadas pelos agentes, a quadrilha conseguiu esconder 500 quilos de cocaína dentro do navio cargueiro Panorea, que estava atracado no Porto de Santos.
A investigação também mapeia um esquema de lavagem de dinheiro no litoral paulista. Os relatórios da polícia indicam que Antum Mrdeza atuava como a mente financeira por trás das operações marítimas, injetando recursos na compra de barcos e no pagamento de propinas para garantir o fluxo constante de entorpecentes para a Europa. Os agentes identificaram pelo menos quatro grandes remessas de drogas que contaram com o apoio de estruturas empresariais legítimas para despistar a fiscalização alfandegária.
A nova fase da investigação busca congelar os bens e identificar novos ativos adquiridos pela organização criminosa no litoral de São Paulo. A PF colabora com agências internacionais para localizar o paradeiro do sérvio e do traficante mexicano. A Justiça Federal já determinou a quebra dos sigilos bancários de todas as empresas de fachada ligadas ao empresário brasileiro, com o objetivo de rastrear o caminho do dinheiro proveniente do tráfico.
