Uma paciente de 33 anos, identificada como Larissa Amorim, faleceu após aguardar quase dois meses por um medicamento contra a leucemia, o blinatumomabe, que já havia sido incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e cuja entrega havia sido determinada pela Justiça. O falecimento ocorreu no dia 14 de maio de 2026, 59 dias após a decisão judicial que obrigava a União a fornecer o tratamento.
O caso gerou preocupação e indignação, levando a Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale) a acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) para denunciar as falhas estruturais na oferta de tratamentos oncológicos, que já foram aprovados pelo governo, mas que ainda não estão acessíveis aos pacientes. Segundo a Abrale, essa situação não é um caso isolado, mas reflete um problema mais amplo enfrentado por muitos pacientes que precisam de acesso a medicamentos essenciais.
Larissa havia mantido sua leucemia sob controle por mais de 20 anos, mas sua condição se agravou em 2025, levando seus médicos a indicarem o blinatumomabe como um passo crucial para a realização de um transplante de medula óssea. A falta do medicamento fez com que os médicos recorressem a um novo ciclo de quimioterapia, mas Larissa acabou contraindo uma infecção e não resistiu ao tratamento intensivo.
“A oncologia não espera. O câncer não espera. Cinquenta e nove dias, para quem tem câncer, é muito”, afirmou Murilo Barbosa, marido de Larissa, em uma declaração que reflete a urgência que muitos pacientes enfrentam.
A Abrale, que atualmente acompanha 185 pacientes com dificuldades de acesso a medicamentos já incorporados ao SUS, destacou que os principais obstáculos surgem após a aprovação dos tratamentos, especialmente nas etapas de compra, financiamento e distribuição. Luana Ferreira Lima, gerente de Políticas Públicas da entidade, explicou que, embora os pacientes deveriam ter acesso ao medicamento em um prazo de 180 dias, muitas vezes esse prazo se esgota devido a problemas burocráticos.
O Ministério da Saúde, por sua vez, informou que está preparando a incorporação gradual de 23 novos medicamentos oncológicos de alto custo, com um investimento estimado em R$ 2,2 bilhões. Contudo, não apresentou uma explicação clara sobre o motivo da não entrega do blinatumomabe à paciente, mesmo após a determinação judicial.

