Na última sexta-feira, 29 de maio, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), ex-presidente do Senado, se manifestou contra a decisão dos Estados Unidos que classificou as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Pacheco afirmou que essa rotulação banaliza o conceito de terrorismo. Segundo ele, “ao classificar essas organizações como organismos de terrorismo, há a banalização do conceito de terrorismo”.
O senador ressaltou que essa avaliação deveria ser feita pela nação brasileira e que a decisão dos Estados Unidos é equivocada. Para ele, o termo terrorismo é uma classificação específica que envolve aspectos particulares que não se aplicam ao PCC e ao CV. Embora reconheça que essas facções são um problema sério, Pacheco defende que existem métodos apropriados para combatê-las, que são diferentes dos utilizados contra grupos terroristas.
“Organizações criminosas são graves, é importante que sejam combatidas, são muito sofisticadas, mas são organizações criminosas e há métodos próprios para se combater organizações criminosas, que não os métodos próprios de terrorismo.”
Rodrigo Pacheco também destacou que a principal diferença entre as facções e grupos terroristas é que o principal objetivo das organizações brasileiras é a obtenção de lucro. Ele enfatizou que o Estado tem a obrigação de combatê-las, mas deve ter a soberania para decidir como esse combate será realizado, considerando que a classificação americana não contribui para isso.
O senador acredita que é fundamental estabelecer tratativas com os Estados Unidos e outros países que podem auxiliar no combate ao PCC e ao CV, mas enfatiza que essa ajuda deve ser no contexto de organizações criminosas, e não como grupos terroristas.
“Uma decisão equivocada dos EUA, e caberá ao Ministério das Relações Exteriores fazer essa tratativa com os EUA e com outros países que podem nos ajudar a combater as organizações criminosas. E eu considero que essa classificação (como grupos terroristas) não é necessariamente uma ajuda.”
O anúncio da classificação dos grupos foi feito pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, que declarou que tanto o PCC quanto o CV são considerados terroristas globais especialmente designados e organizações terroristas estrangeiras, com vigência a partir de 5 de junho de 2026. Essa decisão ocorreu após um encontro entre Rubio, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e representantes do governo americano em Washington, onde a proposta foi bem recebida.
Com a inclusão do PCC e do CV na lista de organizações terroristas, o Departamento do Tesouro americano poderá interromper o acesso de indivíduos ou grupos a fundos sob sua jurisdição, além de proibir a entrada de integrantes dessas organizações nos Estados Unidos. Qualquer tipo de apoio ou recursos aos grupos também se tornará ilegal, resultando em sanções adicionais.
